Paula Schitine

A unidade da FASE em Pernambuco abriu as portas e os corações para receber a Oficina de Comunicação e Cuidados Digitais, nos dias 18 e 19 de agosto, no Recife. Promovido em conjunto pelo setor nacional de Comunicação e a consultora de Cuidados Digitais, o encontro reuniu educadores das unidades da FASE na Bahia, no Pará e Pernambuco, além de ativistas e comunicadores populares de organizações sociais parceiras, para discutir a privacidade e a visibilidade nos ambientes virtuais.

No primeiro dia de atividade, Viviane Gomes, que integra o coletivo “Blogueiras Negras” apresentou ao público as lições de Exú como o grande mensageiro dos orixás, aquele que vive nas encruzilhadas e dá o “papo reto”, sem rodeios, sobre os caminhos a tomar. Ela fez também uma relação direta entre a comunicação e a ancestralidade africana, que tinha como aliado o segredo. Amarela, consultora da FASE, também trouxe informações importantes sobre os cuidados digitais que todos precisamos ter com aplicativos de troca de mensagem e grampos telefônicos. “Com a pandemia, nossa vida se tornou mais online do que nunca, e parte considerável do nosso trabalho agora é realizado em salas de videoconferência e grupos de chat. Habitar ou transitar por espaços digitais e online, no entanto, requer alguns cuidados, que podem e devem ser introduzidos em nossas rotinas”, justifica.

Comunicação nas redes

No segundo dia da oficina, os participantes trocaram experiências sobre a importância de amplificar as narrativas de ações desenvolvidas nos territórios, com atenção especial na divulgação de informações através das redes sociais. O coordenador nacional de comunicação da FASE, Claudio Nogueira, apresentou dados sobre a conectividade no Brasil e dialogou sobre a comunicação popular e o que é considerado notícia nos dias atuais. “Os processos eletrônicos via internet, sobretudo baseados na mobilidade dos celulares, criaram múltiplas formas de relacionamento entre as pessoas e com o mundo, através de novas percepções da realidade e refinamento de antigas concepções”, argumenta. “Planejamento, produção, curadoria, distribuição e mensuração do conhecimento ganharam centralidade. O acesso à informação, facilitado pelo desenvolvimento exponencial das tecnologias e ferramentas de mídia, cria condições para a comunicação direta com nosso público e a participação colaborativa”. Na sequência, os participantes puderam aplicar o que foi debatido com exercícios de produção textual, uso de ‘hashtags’ e de palavras-chave.

Outra parte da oficina que mereceu destaque foi o diálogo acerca da importância do audiovisual nas redes sociais. A assistente de comunicação da FASE Nacional, Paula Schitine, refletiu sobre a centralidade da produção nesse tipo de linguagem, apresentou as noções básicas para construção de vídeos e os ambientes onde eles podem ser usados, encerrando a oficina com uma atividade prática de produção de um pequeno vídeo, realizada em duplas.

“Foi uma vivência bem produtiva a partir dos debates e do entendimento do que são estes cuidados digitais para cada organização presente. Sob esta ótica é que ficou muito mais palpável a necessidade de cuidados e não o olhar de “segurança” – este sim um lugar desconfortável, pois nas redes ninguém está seguro. Também foi de grande valia o conteúdo sobre o audiovisual, seu poder nas redes e no olhar para dentro do que e como postamos nas redes das organizações que integramos”, avalia Hamilton Tenório, do Núcleo de Comunicação do coletivo Caranguejo Uçá.

“Foi uma proposta metodológica excelente, com uma condução sensível e uma troca rica entre as equipes da FASE Bahia e Amazônia e parceiros de Pernambuco”, resume a coordenadora da FASE Pernambuco, Luiza de Marillac.