*Da comunicação da FASE

Debater sobre a construção social de mercados, com aplicação dos princípios da economia popular e solidária, e igualdade de gênero com respeito à cultura e as tradições locais fortalecendo as estruturas de reciprocidade (formas de cooperação, ajuda mútua, relações de troca e doações nas comunidades) foram alguns dos objetivos do 4º módulo do Programa de Formação Multiplicadores e Multiplicadoras em Agroecologia. O programa reuniu 30 participantes no Projeto de Assentamento Agroextrativista PAE Lago Grande, na comunidade Bom Jardim, em Santarém, Pará.

O encontro foi promovido pelo programa da FASE Amazônia, em parceria com a Federação das Associações de Moradores e Comunidades do Assentamento Agroextrativista da Gleba Lago Grande (FEAGLE), Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Santarém (STTR) e o Grupo Mãe Terra, através do Projeto Amazônia Agroecológica, que tem como objetivo promover a implantação de iniciativas agroecológicas como quintais produtivos, viveiros de mudas e apoio aos circuitos de comercialização, além de gerar renda ás comunidades para recuperação e conservação da florestas com apoio do Fundo Amazônia.

Durante o encontro foi realizado um mapeamento das estratégias de comercialização existentes no PAE Lago ressaltando a diversidade dos produtos, mas dando centralidade para uma leitura geral sobre os principais canais de comercialização, quais os produtos vendidos, para quem vendem e como são transformados e beneficiados esses produtos, bem como discutir sobre os principais desafios da comercialização e as principais perspectivas para o fortalecimentos desses circuitos no território e na região.

Foto: Samis Vieira

Feira de Trocas de produtos Agroecológicos

Outra ação foi a realização da Feira de Troca de Produtos Agroecológicos, que teve como objetivo estimular a reprodução das práticas agroextrativistas, a valorização da cultura alimentar e o fortalecimento dos vínculos de solidariedade entre as comunidades do PAE Lago Grande.

O público alvo foram as famílias beneficiárias do projeto Amazônia Agroecológica no PAE Lago Grande, que contou com uma diversidade de produtos, contabilizando um total de 165 produtos entre frutas, hortaliças, tubérculos, derivados da mandioca, sementes, mel, mudas de plantas, ervas medicinais e óleos de essências florestais, o que mostra a importância da agricultura familiar e do agroextrativismo para a segurança alimentar das comunidades. “O alimento produzido no território tem uma simbologia com o lugar, a partilha de produtos agroecológicos é afeto, é memória, é identidade, resistência e ancestralidade, portanto fortalecer os circuitos curtos de comercialização de forma justa e solidária reforçam a autonomia dos agricultores e contribuem para o fortalecimento das redes de solidariedade locais”, afirma Samis Vieira de Brito, educador popular do Programa FASE Amazônia.

Foto: Samis Vieira

Darlon Neres, morador da comunidade Cabeceira do Marco, beneficiário do projeto Amazônia Agroecológica e integrante do coletivo de jovens Guardiões do Bem Viver ressalta que a Feira de Troca de Produtos Agroecológicos, que aconteceu durante o programa de formação, foi um resgate da nossa história, uma prática antiga já desenvolvida por duas comunidades no PAE Lago Grande (Piraquara e Aracuri.) em que os agricultores familiares trocavam produtos entre eles.  “Quem tinha a farinha trocava pela banana e isso fortalecia os laços de solidariedade e partilha entre as comunidades da região mostrando a importância de viver na coletividade no território”, diz ele. “Após quase 15 anos essa pratica não acontecia mais aqui nas nossas comunidades e com a feira realizada aqui durante o programa de formação de multiplicadores em agroecologia, mostrou que é possível resgatar essa prática de vivência, partilhado e produzindo de forma agroecológica”, completa.