Rebecka Santos
09/04/2026 14:59

Comunidades da Zona Oeste do Recife, em Pernambuco, realizam intervenção urbana de sensibilização socioambiental, levando mensagens diretas às ruas sobre cuidado com a natureza e defesa do Rio Tejipió. A ação aconteceu nos bairros de Jardim Uchôa, Caçote, Ibura, Barro, Coqueiral e Totó, com a colagem de lambe-lambes que dialogam com o cotidiano das pessoas e provocam reflexão sobre os impactos das mudanças climáticas nos territórios.

A iniciativa integra o Projeto Tejipió Consciente, desenvolvido pela FASE Pernambuco, e tem como foco fortalecer o acesso à informação e à formação política sobre políticas públicas de adaptação e resposta à crise climática. A iniciativa atua na identificação de riscos e ameaças, como alagamentos, poluição hídrica e ocupações em áreas vulneráveis; e na construção coletiva de estratégias de resiliência com as comunidades, especialmente com as juventudes.

Os dados reforçam a urgência da ação. No Recife, segundo pesquisas recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), aproximadamente 206.761 moradores residem em regiões suscetíveis a deslizamentos de terra, enchentes e outros desastres naturais. Esses números colocam a capital pernambucana na 5ª posição entre as cidades brasileiras com maior população em situação de risco, superada apenas por Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Com recursos do Governo do Estado de Pernambuco e apoio de organizações de base como o Fórum Popular do Rio Tejipió (FORTE), o Instituto Transformar e o Instituto Solidare, a ação buscou fortalecer o vínculo entre moradores e seus territórios, incentivando uma relação ética e responsável com os bens naturais, como o Rio Tejipió – que possui 20 quilômetros de extensão, com sua nascente na cidade de São Lourenço da Mata e atravessando os municípios de Recife e Jaboatão dos Guararapes.

“Os lambes funcionam como ferramenta de educação popular porque chama atenção visualmente, com frases impactantes, sobre o agravamento da crise climática”, afirma Géssica Dias, educadora da FASE PE e Mestra em Desenvolvimento Urbano. A ideia é abordar como os efeitos da crise climática recaem de forma desigual sobre populações periféricas. “Ao mesmo tempo, queremos dizer que existem iniciativas comunitárias de resistência e cuidado que precisam ser reconhecidas e fortalecidas”, reforça Géssica.

Para Geazi Silva, Presidente do Instituto Transformar, a ação foi importante porque abriu espaço para discussões dentro do território. “O programa de Letramento Climático desenvolvido pela FASE me trouxe uma compreensão melhor sobre a minha responsabilidade diante das mudanças climáticas. Os lambes que colamos, além de tornarem pública essa responsabilidade, deixaram o tema mais visível. O processo de produção e colagem reforçou em mim um sentimento de poder e capacidade. O impacto visual que eles causaram é incrível”, disse o morador da comunidade de Jardim Uchôa.

A intervenção integra um conjunto mais amplo de estratégias voltadas à organização comunitária e à promoção da justiça socioambiental nos territórios atravessados pelo Rio Tejipió. O objetivo maior é reivindicar por políticas públicas e ações coletivas que caminhem juntas na construção de cidades mais justas, resilientes e sustentáveis.

Em 2025, a FASE Pernambuco contribuiu com a criação de planos de contingenciamento e adaptação climática comunitários, através do protagonismo juvenil, em comunidades do “alto, médio e baixo Tejipió”. O processo foi iniciado por meio do mapeamento e mobilização das juventudes localizadas nesses trechos para início do ciclo formativo mensal, por via de módulos temáticos e atividades intermodulares. Os encontros se deram de forma itinerante, em comunidades da Bacia, assim como em organizações parceiras, promovendo o intercâmbio territorial e experiências institucionais que fortaleceram o ciclo formativo.

*Comunicadora da FASE Pernambuco