Júlia Têtê
13/04/2026 15:07

Nos dias 25 e 26 de março de 2026, o município de Mutuípe, no Vale do Jiquiriçá, sediou um importante encontro voltado à reflexão e construção coletiva de estratégias para o enfrentamento da crise climática. O evento reuniu agricultores e agricultoras, representantes institucionais, lideranças jovens e a equipe técnica da FASE (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional), consolidando um espaço de diálogo, formação e articulação. A abertura foi conduzida pelo educador técnico da FASE, José Henrique, que ressaltou a relevância da atuação da instituição e de sua equipe multidisciplinar no fortalecimento das comunidades rurais. Em seguida, João Paulo e Suzy Costa, representantes da Secretaria de Cultura de Mutuípe, realizaram uma mística abordando os impactos negativos do consumismo no meio ambiente. A dinâmica incentivou a participação dos presentes, que compartilharam seus desejos de consumo, promovendo uma reflexão crítica sobre hábitos cotidianos e suas consequências socioambientais.

Foto: Júlia Têtê

Na sequência, o coordenador técnico da FASE, Fernando Oiticica, conduziu uma análise sobre os impactos das mudanças climáticas tanto em áreas rurais quanto urbanas. Um dos momentos de destaque foi a reflexão coletiva sobre o descarte de resíduos nas propriedades rurais. Chamando atenção para a ausência de serviços de coleta de lixo em diversas comunidades, o que leva parte da população a recorrer à queima de resíduos, prática que traz sérios riscos à saúde. Diante desse cenário, os educadores da FASE destacaram a necessidade de implementação de políticas públicas eficazes e a importância da elaboração de documentos e propostas para o diálogo com gestores municipais em busca de soluções concretas.

Ainda no primeiro dia, os participantes foram divididos em grupos para discutir estratégias práticas a partir da pergunta norteadora: “Como posso colaborar para diminuir os impactos das mudanças climáticas em minha comunidade? O que realmente estou fazendo?”. A atividade estimulou a autoavaliação e o compromisso coletivo.

O segundo dia conduzido por Rosélia Melo, Coordenadora Regional da FASE Bahia, iniciou destacando o papel fundamental da juventude na construção de políticas públicas e no fortalecimento dos espaços de participação social. Na sequência, João Pedro, representante do Engajamundo e Jovem Senador 2025, apresentou a temática “Participação das juventudes no enfrentamento às mudanças climáticas: pluralidades, desigualdades e encruzilhadas na crise socioambiental”. Abordando a participação política, ativismo jovem e engajamento ambiental, além de compartilhar experiências no território do Vale do Jiquiriçá. João Pedro também ressaltou estratégias para ampliar o envolvimento da juventude, como o uso de práticas educomunicativas, a adaptação de metodologias globais à realidade local e o incentivo à produção científica e cultural protagonizada por jovens.

Foto: Júlia Têtê

Na etapa final do seminário, Adriana Conceição, representante da Rede SOS Rio Jiquiriçá e professora do Instituto Federal Baiano – Campus Santa Inês, apresentou o painel “Agricultura Familiar Resiliente”. A partir de dados e reflexões, destacou o papel da agricultura familiar como estratégia fundamental para a recuperação ambiental, segurança alimentar e mitigação dos impactos das mudanças climáticas. Enfatizando, a urgência de fortalecer práticas sustentáveis no contexto rural.

O evento foi encerrado com uma avaliação coletiva das atividades, entre os principais encaminhamentos, destacaram-se o fortalecimento da agroecologia, a redução do uso de agrotóxicos, o incentivo à participação da juventude, a promoção de políticas públicas efetivas e a ampliação do diálogo comunitário. 

O seminário é parte do projeto ATER Biomas, executado pela FASE Bahia no território Vale do Jiquiriçá, financiado pelo Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Desenvolvimento Rural e BAHIATER (Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural). Essa é mais uma atividade realizada pela FASE na Bahia que destaca a importância da articulação entre comunidades, instituições e juventude na construção de estratégias de enfrentamento das crises climáticas.

 

**Comunicadora da FASE Bahia