A série audiovisual 50 tons de Fake Verde é uma produção da FASE, em parceria com a Casa Ninja Amazônia e apoio da Open Society Foundations e da Fundação Heinrich Böoll. A produção em seis episódios vem mostrando de forma irônica o chamado greenwashing: estratégia de promover discursos, anúncios, ações, documentos, propagandas e campanhas publicitárias sobre ser ecologicamente correto, mas que na verdade é uma falácia das empresas, organizações e políticos, pois a realidade é bem diferente.

A idealizadora da série,  Maureen Santos, que é coordenadora do Grupo Nacional de Assessoria da FASE, explica a importância de expor essas práticas do mercado de uma forma fácil e leve. “Todos os dias somos inundados de fake news verde, que nos distraem das soluções reais para enfrentar as mudanças climáticas e a crise ecológica. A ideia dessa série  é de traduzir para o grande público essas narrativas”, observa.

O cenário dos quatro primeiros vídeos é uma empresa de marketing, a Celestial Green criada para “melhorar” a imagens de políticos, empresários do agronegócio e garimpeiros que cometem crimes ambientais, mas querem passar uma mensagem  de que protegem o meio ambiente quando, na verdade, só exploram os recursos naturais as custas de grande degradação e violência. Os atores Daniel Warren e Marcelo Moraes encenam os dois principais personagens que dialogam sobre essa maquiagem na prática.

O ator Marcelo Moraes representante da “Celestial Green”.

Participação dos artistas

O ator Marcelo Moraes, que interpreta o representante/vendedor da “Celestial Green” conta que já que havia gravado diversos comerciais, vídeos institucionais e peças publicitárias tanto pra TV quanto para a internet, mas poucas vezes foi chamado para filmar algo destinado a projetos socioambientais.  “Inclusive, esse papel que faço com um tom irônico já fiz muitas vezes de verdade para vender produtos. Então é muito legal ‘mudar de lado’ e poder tratar irônica e criticamente disso”, lembra.

Ele explica que quando soube que a ideia era trabalhar com um humor ácido e bastante crítico alguns temas tão importantes e necessários nos dias de hoje, especialmente com o governo e a situação atuais, ficou mais empolgado ainda. “Junto com a Maureen e o Daniel Warren pudemos criar um projeto bem humorado e que aborda esses temas extremamente importantes.”, enfatiza. “sinto que estamos o tempo todo expostos a discursos, propagandas, rótulos de embalagens, informações, marketings, que se utilizam do “tom” verde, mas que mantém a mesma prática predatória e destrutiva de sempre. Abrir o olho para essa questão é aprender a discernir quais são os discursos que vem de fato acompanhados das práticas e quais não são”, acredita.

O ator, diretor e roteirista da série, Daniel Warren representa as falsas narrativas do mercado.

O outro criador da série, o ator e roteirista Daniel Warren admite que pouco sabia pouco sobre o assunto, apesar de se manter informado sobre assuntos relacionados à preservação do meio ambiente.  “Os pormenores sobre como empresas que poluem e degradam a natureza estão maquiando suas ações são terríveis. E ter a oportunidade de falar sobre esse assunto através do meu trabalho me deixou muito feliz! Utilizar o humor e a comédia para revelar como estamos sendo enganados e oprimidos é minha luta!”, enfatiza.

“Estamos vivendo uma época em que nosso “meio ambiente mental” também é degradado com o uso das redes sociais e seus algoritmos e fake news. Portanto vejo esse como um projeto de importância enorme. Na medida que botamos luz sobre esse assunto complexo, mas utilizando a linguagem do humor e dentro da linguagem das redes sociais, temos a possibilidade de chegar mais longe, de esclarecer pra mais gente”, diz o roteirista.

Por que usar o humor nas redes sociais

“O 50  Tons de Fake Verde é uma iniciativa de transformar vários  debates que a gente vem fazendo na FASE sobre maquiagem verde, o ‘greenwashing’ de empresas, do Estado, de setores do mercado como o agronegócio, a mineração, e o garimpo, e instituições multilaterais que tentam convencer o consumidor ou a população de que eles estão desenvolvendo ações benéficas para o clima ou para o meio ambiente, mas que na verdade não passam de mentiras que podem piorar a situação que já existe”, explica Maureen Santos. “Então, por meio desses episódios, e de forma mais irônica e lúdica, traduzir  como esses discursos, essas falsas soluções não resolvem os problemas”, enfatiza.

A série foi filmada na Nave Coletiva, espaço do Mídia Ninja que abrange a Casa Ninja Amazônia, parceira desta iniciativa e já teve milhares de visualizações. O último episódio da série 50 tons de verde será lançado nas vésperas da Conferência Mundial das Partes sobre clima (COP27) que vai acontecer no Egito no mês que vem, de forma a criar um ambiente de debate e mais consciência sobre como muitas soluções na verdade são distrações que atrapalham as políticas reais de serem executadas.

Assista a série no nosso canal do Youtune

https://www.youtube.com/playlist?list=PLQv0ykN81K52_uoudAYmZ7RhiIuUXHGKg