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17/09/2013Editorial

Quem vê árvore pode não ver floresta!

21 de Setembro – Dia Internacional de luta contra as monoculturas de árvores!


As corporações econômicas e políticas do agronegócio comemoram o dia da árvore neste 21 de setembro Empresas de papel e celulose, como Fibria, Votorantim, Suzano, Veracel; siderúrgicas como a V&M, Plantar, Samarco, CST, TKSA etc, irradiam propagandas de “salve o planeta”, “carbono zero”, “desenvolvimento sustentável”, sempre associadas a imagens de florestas, matas, ÁRVORE.

“Plantamos ÁRVORE!”, “Reflorestamento”, “setor florestal”, “selos verdes (FSC)!” compõem apenas o refrão de campanhas mais sutis. Setores corporativos dos mais poluidores – petróleo e gás,mineração, termoelétricas ou energo-intensivos, como o setor do alumínio, e mesmo empresas de altíssimo risco como usinas nucleares: todas “plantam árvores”, cada uma com seu jargão. A mídia oficial gera “cadernos ambientais”, programas “verdes” e, sob o argumento do Dia da Árvore, produz cartilhas e material “didático”, para crianças e jovens das precárias redes públicas de educação. Uma gigantesca engenharia da farsa verde movimenta milionárias empresas de marketing, com excelente música de Gil e embaixadas do rei Pelé, garantindo o espaço simbólico d’ “o nosso papel” na Copa da FIFA. Já se anuncia o próprio gol “carbono zero”, para neutralizar as emissões: 1 x 1 = 2 árvores!

Não faltarão os políticos, parlamentares e burocratas dos executivos, pra saudar o Dia da Árvore. Uma visita a lista de doadores de campanhas explicita o porquê. Haverá ainda a longa lista de acadêmicos e tecnocratas consultores do setor empresarial e/ou do Estado e/ou de organizações ambientalistas, como portavozes da verdade, em defesa da conservação arbórea (e do status quo).

Na Era da Economia Verde, está em jogo, sobretudo, a expansão do modelo de desenvolvimento, para novas fronteiras territoriais, tecnológicas e mercantis. No Capitalismo Verde, o meio ambiente aparece apenas como aspecto compensatório de uma expansão unilateral, violenta, concentradora de terra, poder e renda.

Mas quem vê a árvore não vê a floresta!

Os 40 anos de plantios de eucalipto no Norte do Espírito Santo, devastando a Mata Atlântica e afetando significativamente a reprodução simbólica e econômica de povos tradicionais indígenas, quilombolas, campesinos, sem-terra, contaminando rios e córregos com agroquímicos, esgotando mananciais, não deixam margens às dúvidas. Plantar árvores assim, emlarga escala, com única espécie e intenso uso de venenos é RACISMO AMBIENTAL. Árvores também formam desertos. Daí, DESERTO VERDE, no dialeto regional. O mesmo nome e experiência se repete no Extremo Sul da Bahia, no Cerrado de Minas Gerais, no Norte e Noroeste do Rio de Janeiro, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Paraná entre outros Estados brasileiros. Por toda parte – também no restante da América Latina – o Deserto Verde se expande, para abastecer um padrão insustentável de consumo, concentrado no Norte e nas elites hegemônicas do Sul.

A FASE se soma ao dia 21 de Setembro, não mais como dia das corporações e das empresas, mas como Dia Internacional de Luta contra as Monoculturas de Árvores, saudando as diversas lutas locais de indígenas, quilombolas, campesinos, sem terras, etc, bem como as redes regionais que resistem à expansão do Deserto Verde. Nos somamos também aos parceiros internacionais de RECOMA, Rede Latino Americana contra Monocultivos de Árvores, WRM, CTW.

No dia 21 de Setembro estaremos em campanha de defesa do território quilombola no Sapê do Norte do Espírito Santo, devastado pela monocultura do eucalipto da Fibria e da Suzano. Na comunidade de Angelim 1 vamos celebrar o dia internacional de luta com uma visita às famílias acampadas na ocupação da RETOMA, onde se desdobra, desde 2010, um rico processo de reconversão territorial:a transição agroecológica de uma área retomada da monocultura da Fibria para a produção de alimentos e defesa da mata atlântica! Também na comunidade de Linharinho, vamos celebrar com um mutirão de bio-construção da casa de Sapezeiro e Joice, lideranças da Comissão Quilombola do Sapê do Norte, agricultores, feirantes, que estão ameaçados por fazendeiros da região.

Dia 21 de Setembro é dia de luta!

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