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30/01/2020Bahia

Ações de assessoria técnica e agroecologia promovem segurança alimentar na Bahia

Educadores mapeiam e identificam os principais problemas enfrentados pelos agricultores familiares e criam condições para a ampliação dos debates e das reflexões sobre as causas dos problemas, além de estimular a busca por soluções


Michel Silva¹

Agroecologia e assessoria técnica são algumas das ações realizadas pelo programa da FASE na Bahia para promover ações em prol da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) para agricultores familiares no interior do estado. Os educadores mapearam e identificaram os principais problemas enfrentados pelos agricultores e criaram condições para a ampliação dos debates e das reflexões sobre as causas dos problemas, além de estimular a busca por soluções.

Visita técnica do educador da FASE na Bahia. Foto: FASE Bahia

Os agricultores familiares cultivam alimentos diversos e aprendem aproveitar melhor os espaços, consorciando lavouras e integrando culturas e criações. Essas ações são fortalecidas através do apoio de financiadores como a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública baiana vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

Rosélia Melo, coordenadora da FASE na Bahia, conta que as atividades também passam pela etapa de elaboração de diagnósticos, essencial para definir as prioridades da assessoria técnica agroecológica. “Neste ponto, acontece a devida atenção à situação das mulheres e dos jovens agricultores, pois é impossível promover a SAN destas famílias sem ações específicas que favoreçam a construção de relações de gênero e de geração mais equitativas”.

Impactos nos territórios

Atividade de sensibilização. Foto: FASE Bahia

Em agosto de 2019, a SDR e a CAR promoveram um evento de formação sobre SAN, com a assessoria pedagógica de especialistas do Centro de Nutrição Funcional Valéria Paschoa, onde também debateram as principais atividades sobre SAN que seriam realizadas nas comunidades envolvidas nas ações de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) assumidas pela FASE.

De acordo com Rosélia, os eventos foram importantes para resgatar conhecimentos sobre hábitos alimentares comuns. “Este debate também se conecta com o reconhecimento e a valorização do trabalho das mulheres que sempre são as pessoas que cuidam dos quintais produtivos e assumem a responsabilidade pela propagação de mudas e sementes”, explica.

Antônio de Jesus, agricultor familiar da comunidade Rio do Braço, em Mutuípe, percebeu o perigo na utilização de agrotóxicos. Constantemente, ele tenta conscientizar os moradores sobre a importância do cultivo  sem veneno e de auto consumo. “Tudo que nós plantamos é da nossa própria terra. Todo dia eu converso com meu povo para plantarmos nossas próprias coisas. Pois, quando formos na cidade, não compramos somente aquele veneno que afeta os dentes, a vista, o intestino. Ninguém está aguentando mais tanto veneno na própria carne”, conta.

Samuel Santos da Silva, agente comunitário rural, conta que a região na comunidade do KM 17, no município de Laje, está praticamente tomada pelo uso do agrotóxico e a iniciativa dos quintais produtivos, através do Bahia Produtiva, foi uma excelente estratégia para que os agricultores familiares refletissem sobre a maneira de trazer as pessoas aos antigos hábitos de fazer plantios orgânicos nos seus quintais, para consumo e também para venda, trazendo alimentação saudável não só para sua família, mas para as famílias da comunidade, o assunto segurança alimentar vem se espalhando muito depois do projeto na comunidade e através do apoio da FASE que traz de forma bem dinâmica esse assunto para as pessoas, que vêem que podem produzir e às vezes já tem seu alimento na propriedade, a exemplo das pancs, conhecidas hoje como plantas alimentícias não convencionais, mas que na verdade são plantas já de uso antigo dos agricultores, que com o passar do tempo foram deixando de ser usadas, mas através de entidades como a FASE, CAR e outras organizações, esse assunto está sendo abordado mais uma vez e despertando nas pessoas que elas podem usar, por exemplo, a taioba, língua de vaca e tantas outras para melhorar sua alimentação e resgatar a cultura ‘perdida’. Nós ACRs estamos na luta junto com a FASE e a CAR para mostrar ao homem do campo que ele pode ter alimentação de qualidade na sua propriedade”. 

[1] Jornalista.

 

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