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07/11/2019Amazonia

Café Regional: nas ondas do rádio na Amazônia 3

Agrotóxicos, mudanças climáticas, direito à cidade e pesca foram os temas que foram ao ar no mês de outubro


O programa Café Regional, uma iniciativa do programa da FASE na Amazônia em parceria com a Rádio Rural de Santarém (PA), com apoio do Greenpeace, vai ao ar todos os sábados, a partir de 8h05, na AM 710. O conteúdo é voltado aos povos da Amazônia e em defesa de seus territórios, mas também pode ser ouvido por aplicativo¹. A programação inclui música, informação, agenda de ações da sociedade civil, entrevistas e outros conteúdos. 

No dia 5 de outubro, Daniela Pantoja se juntou à equipe do Café Regional. O programa iniciou lembrando que desde 2008, o Brasil se tornou o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. O uso intensivo de agrotóxico está diretamente relacionada à política agrícola do país adotada desde a década de 1960, impulsionado pelo avanço do agronegócio. O Professor Rui Harayama, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), falou a respeito do relatório divulgado pela ANVISA sobre resíduos de agrotóxicos em alimentos, o nível de segurança para consumo humano e os papéis do IBAMA, ANVISA e do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento na liberação dos agrotóxicos. Para comentar sobre as consequências do uso do agrotóxico na saúde humana, o programa recebeu a doutora Talita Borges. Ela ressaltou a possibilidade de intoxicações agudas e crônicas, dependendo do nível de exposição. Os sintomas vão desde náuseas, problemas neurológicos, até o câncer. São esperados cerca de de 600 mil casos novos de câncer para o biênio 2018 e 2019. Lídia Braga, Promotora de Justiça no município de Santarém, foi convidada para apresentar o Fórum Permanente de Combate ao Uso de Agrotóxico, uma iniciativa do Conselho Nacional do Ministério Público e de ações que são feitas no Brasil através de fóruns que debatem essa temática. 

O tema do programa no dia 12 de outubro foi “Mudanças Climáticas”. As alterações no clima são verificadas através de registros apurados com o passar dos anos, elas podem acontecer de diversas maneiras, como por exemplo a alteração na temperatura, intensidade ou redução das chuvas, aquecimento global, derretimento de geleiras e aumento da poluição. Roseilson do Vale, físico e professor do curso de Ciência Atmosférica, na UFOPA, explicou que essas mudanças têm se intensificado nos últimos anos em todo o mundo por conta da ação humana na natureza. Ele exemplificou que o desmatamento, as queimadas e o crescimento das cidades são causadores dessas alterações e comentou sobre a insuficiência de fiscalizações. Para falar sobre como as Mudanças Climáticas impactam a saúde, o convidado foi o pneumologista, Rubem Dourado. Ele trouxe a questão das queimadas como um grande problema causador de doenças respiratórias, de pele, conjuntivites e até câncer. Os apresentadores fizeram um apelo pela conscientização sobre o desmatamento na região Amazônica. Para apresentar o Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, a conversa foi com o coordenador Iremar Ferreira. O Fórum é uma articulação de entidades pastorais e movimentos sociais que atuam em rede para gerar consciência crítica e enfrentamento em relação a tudo que causa o aquecimento da terra. Cobrar a responsabilidade do poder público para Políticas Públicas efetivas de proteção ao clima do Brasil é um dos objetivos da articulação. O Professor Everton Almeida, que atua na área de Reflorestamento e Florestas Tropicais, da UFOPA, foi chamado para falar sobre os efeitos das Mudanças Climáticas na vegetação na Amazônia. Ele disse que essas mudanças trazem, principalmente, escassez de chuva e que uma solução seria o reflorestamento da região.

No dia 19, o Direito à Cidade e o Plano Diretor Municipal foram os destaques. O início do programa lembrou do aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de Santarém e também de sua população. Crescimento que se deve, em grande parte, à expulsão pela expansão da soja no planalto, da construção de portos e da mineração.  Além de todos os problemas já mencionados, há também os riscos da violência física sexual e moral para as mulheres da região. E para falar sobre o crescimento desordenado no município, a convidada foi Ana Beatriz Reis, do grupo de pesquisa Direito à Cidade de Santarém, vinculado ao Instituto de Ciências da Sociedade (ICS) da UFOPA. E para saber mais sobre o plano diretor da cidade, o entrevistado foi Erlan Campinas Nader, presidente da Federação das Associações de Moradores e Organizações Comunitárias De Santarém. A construção de grandes empreendimentos em solos considerados sagrados de Alter do Chão também foi assunto do programa. Para comentar sobre isso, Wandrea Borari, ativista indígena, foi a convidada. E para fechar, a professora Juliana, da UFOPA, foi ouvida sobre a produção da agricultura familiar e a expulsão dos agricultores para a cidade.

A pesca predatória, o período de defeso e os acordos de pesca foram os temas da última edição do mês, no dia 26. Felipe Neto Rodrigues, pescador e mergulhador, falou sobre a história da humanidade e como vários grupos sociais se desenvolveram habitando às margens de rios, mares e oceanos. Explicou também sobre pesca predatória, as dificuldades e o respeito necessário para garantir o “peixe nosso de cada dia”. Para comentar sobre o acordo de pesca, o convidado foi Antônio José, coordenador da sociedade para pesquisa e proteção do Meio Ambiente e Sapopema.

[1] Baixe o aplicativo da rádio ou acesse www.radioruraldesantarem.com.br.

 

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