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07/12/2006Rio de Janeiro

Centro de Inteligência Coletiva chega com festa

O Centro de Inteligência Coletiva Lorenzo Zanetti foi inaugurado oficialmente no último dia 26 de novembro


Gloria Regina Amaral

O Centro de Inteligência Coletiva Lorenzo Zanetti foi inaugurado oficialmente, no último dia 26 de novembro, ao som de muito batuque e muita música acompanhada por uma diversidade de apresentações artísticas em Parada de Lucas. O protagonismo juvenil tão defendido por Zanetti esteve mais que presente naquela tarde de domingo.
Jovens e crianças se apresentaram em esquetes teatrais e circenses e em grupos de percussão e de música. Um grupo de alunos de violino chegou a acompanhar Gilberto Gil no palco montado na Rua Democracia para que vários nomes da cena cultural, artística e política brasileira dessem as boas vindas a mais este consistente projeto do Grupo Cultural AfroReggae.

A comunidade foi às ruas receber os visitantes, ver os artistas e conferir as performances dos grupos que se apresentavam, um após outro, enchendo de música e alegria o bairro, tão cheio de problemas como outros tantos da periferia do Rio de Janeiro. Para ver e ouvir convidados ilustres como Regina Casé e sua filha Benedita , Hélio de La Peña, MV Bil, Milton Gonçalves, Benedita da Silva e seu esposo, o ator Antônio Pitanga, Denis Minze, coordenador do Instituto Sou da Paz (SP); e principalmente o Ministro da Cultura Gilberto Gil que parabenizou o AfroReggae pela iniciativa em nome do Governo Lula, falou da importância de projetos como este para os jovens e crianças de bairros carentes e brindou a todos com muita simpatia e com sua canção mais carioca “Aquele abraço”, acompanhado pelo grupo de alunos de violino de Centro de Inteligência Coletiva.

O prédio que abriga o Centro passou por uma grande reforma e ganhou salas e equipamentos novos, bonitos e confortáveis. Além da obra, o Centro ganhou também parcerias importantes que vão ajudar a levar o projeto a crianças e jovens do bairro que tem aproximadamente 19 mil habitantes. As turmas de informática ganharam salas para as oficinas de Windows, internet e pacote Office e uma para a oficina de montagem e manutenção de computadores. Uma parceria com a HP garantiu a doação de computadores, scanneres e impressoras, além do suporte técnico para o funcionamento das turmas.

Em matéria de parceria o AfroRagae está bem servido: a Globo Filmes doou cópia de todo seu acervo, o que garante uma programação diversificada para a novíssima e bem equipada sala de vídeos do Centro. Haverá também a instalação de uma rádio digital, fruto de outra parceria com o BBC1Xtra (canal digital de música negra da BBC) e com a ONG inglesa Radioactive, especializada em criar rádios independentes em países em desenvolvimento.

Atualmente são oferecidas no Centro oficinas de capoeira, violino, teatro, história em quadrinhos e alfabetização de adultos. Mas para o próximo ano já estão previstas também aulas de dança clássica e afro além da implementação da rádio digital. O espaço conta também com uma biblioteca, muito aconchegante e bem decorada que vai receber o apoio da Ediouro com a doação de livros e com um salão multiuso, com acesso a um camarim para os artistas e alunos das oficinas. Há ainda uma sala para o atendimento social.

A proposta de José Júnior, coordenador do Grupo Cultural AfroReggae, e de Cirléia Menezes e Evandro João Silva, coordenadores do Centro de Inteligência Coletiva é oferecer à comunidade um espaço cultural também, mas principalmente um núcleo de aprendizado e especialização tecnológica. O Centro que começou, há 5 anos com a intenção de promover a inclusão digital na comunidade, terá um foco tecnológico com oficinas de informática distribuídas em três laboratórios com 27 computadores de conexão rápida à internet, e até as outras oficinas como a de desenho e a Rádio web estarão voltadas para a mídia binária.

A Fase, representada pelos diretores Cunca Bocayúva e Fátima Melo, por Cléia Silveira, do Serviço de Análise e Apoio a Projetos, e por outros membros da instituição, esteve presente à inauguração do Centro que leva o nome de um de seus integrantes. Lorenzo Zanetti, educador popular que trabalhou algumas décadas na Fase até o seu falecimento em agosto de 2004, foi um dos que primeiro acreditaram na força da organização juvenil. Segundo o texto publicado no site do próprio AfroReggae, “Lorenzo foi fundamental na história do Grupo Cultural AfroReggae, um grande apoiador que o AfroReggae teve desde o início(…) Zanetti foi um importante educador popular que defendia a emancipação dos jovens através do tripé educação, arte e cultura. O AfroReggae foi um dos grupos em emancipação apoiados pelo Serviço de Análise e Apoio a Projetos (Saap), projeto consolidado por Zanetti.”

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