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02/06/2006Agroecologia

Começa o 2º Encontro Nacional de Agroecologia

Entre os dias 2 e 6 de junho, agricultores de todo o Brasil estarão em Pernambuco para o 2º Encontro Nacional de Agroecologia, o ENA


Fausto Oliveira

Entre os dias 2 e 6 de junho, agricultores de todo o Brasil estarão em Pernambuco para o 2º Encontro Nacional de Agroecologia, o ENA. Também estarão em Recife dezenas de organizações e movimentos sociais que atuam no meio rural brasileiro. Lá, todos discutirão formas para fazer o ciclo produtivo de alimentos no Brasil voltar a um caminho saudável e sustentável. Hoje em dia, a agricultura familiar se vê cercada pelo agronegócio exportador e latifundiário, cujos interesses se resumem ao lucro dos fazendeiros. De sua parte, a pequena agricultura se desdobra para abastecer o mercado interno com alimentos em quantidade e qualidade satisfatórios. Ela pode exercer um papel chave na proposição de um novo modelo de desenvolvimento rural no Brasil: um modelo que alie respeito ao meio ambiente, alimentos livres de agrotóxicos e transgênicos e uma agricultura que distribua riqueza aos trabalhadores do campo.

Do movimento agroecológico, participam grupos sociais muito variados, verdadeira expressão da diversidade cultural do campo brasileiro. Agricultores familiares, extrativistas, indígenas, quebradeiras de coco, quilombolas, geraizeiros, ribeirinhos, pescadores artesanais. São muitas identidades constituídas que representam, cada uma, milhares de brasileiros espalhados pelo país em condições cada vez mais precárias devido ao avanço das monoculturas latifundiárias e do modelo de produção do agronegócio. Apertados em faixas de terra mais estreitas, muitas vezes desalojados de suas terras, eles resistem. Lutam pelo direito aos territórios onde se sentem em casa, a fim de produzir alimentos e progredir na vida sem agredir aquilo que têm de mais fundamental: sua identidade de seres humanos criados no campo, em condições específicas que merecem respeito.

O ENA é uma realização da Articulação Nacional de Agroecologia, a chamada ANA. Além dos agricultores, que sem dúvida serão os protagonistas do ENA, participam da ANA muitas ONGs e movimentos sociais. A FASE é uma destas instituições e participou na organização do encontro. E também estará presente em muitas das atividades programadas.

O ENA terá os seguintes eixos temáticos: “Conservação e uso dos recursos naturais e a da biodiversidade por produtores familiares e populações tradicionais”; “Construção do conhecimento agroecológico”; “Direitos territoriais, reforma agrária e agroecologia”; “Formas de financiamento e gestão social do desenvolvimento agroecológico”; “Relação com mercados”; “Segurança e soberania alimentar como estratégia de construção da agroecologia”.

Como o próprio termo ‘agroecologia’ é novo no vocabulário corrente no país, à primeira vista pode parecer que o movimento agroecológico quer apenas produzir alimentos em pequenas propriedades, de maneira familiar e sem uso de agrotóxicos ou transgênicos. Mas isso é parte do projeto. Por trás das discussões que serão travadas no ENA, está um projeto de ocupação de territórios no Brasil, uma concepção de integração entre meio ambiente e vida humana no espaço rural, um sistema de comercialização gerador e distribuidor de renda, uma forma de manter a prevalência da vida sobre o lucro, a batalha da natureza contra as patentes internacionais sobre organismos e frutos da terra.

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