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08/06/2020Rio de Janeiro

FASE RJ na luta contra a Covid, violência e por moradia

No Rio de Janeiro, a equipe de educadores populares se mobilizou para distribuição de cestas básicas de alimentos e produtos de higiene, além de colaborar na mobilização de jovens de diferentes regiões de cidade, cujas pautas são o enfrentamento ao racismo e as dificuldades de acesso ao mercado de trabalho


Durante a pandemia por Covid-19, as unidades da FASE têm atuado com ações de solidariedade em regiões, comunidades e favelas onde já haviam estabelecido parcerias para ações de assessoria e mobilização. No Rio de Janeiro, a partir de uma presença regular no complexo de favelas de Manguinhos, em cidades da Baixada Fluminense e com algumas famílias de ocupações coordenadas pelas Brigadas Populares, no bairro da Pavuna, a equipe de educadores populares se mobilizou para distribuição de cestas básicas de alimentos e produtos de higiene, além de colaborar na mobilização de jovens de diferentes locais da região metropolitana, cujas pautas são o enfrentamento ao racismo e as dificuldades de acesso ao mercado de trabalho.

O coordenador da FASE no Rio de Janeiro explica que a atuação da unidade  ocorre em territórios e com segmentos sociais que são parte da maioria da população do Brasil que infelizmente sofrem topo tipo de violação de direitos. “Essas pessoas têm renda baixa, condições de moradia precárias e quem trabalha está na informalidade. Ou seja, a pandemia agravou todas as violações e ameaçou retirar o pouco que tinham para comer, por exemplo”.

Entre 15 de março e 15 de maio, foram distribuídas 130 cestas básicas entre famílias de uma ocupação da Pavuna e do Centro do Rio, ambas coordenadas pelas Brigadas Populares. Famílias do complexo de favelas de Manguinhos e Grupo de Transexuais Profissionais do Sexo de São João de Meriti, também receberam o apoio. Em maio, 40 jovens receberam apoio financeiro de R$ 300.  “O Rio de Janeiro vive um duplo genocídio da população pobre, negra, moradora das favelas e periferias. É duplo porque essa população é tanto a que mais morre em decorrência da Covid-19 como a que mais sofre com alta letalidade da Política de Segurança Pública do Estado. Qualquer ação de solidariedade nesse contexto não pode, de modo algum, desconsiderar ou relativizar o racismo estrutural da sociedade brasileira. Infelizmente, a pandemia tem nos ensinado que o direito à vida depende tanto da superação da fome como do racismo institucional”, conta a educadora da FASE RJ, Caroline Rodrigues.

“Desde os meados de março, os moradores das ocupações organizadas pelas Brigadas Populares já sentiam os impactos da pandemia do coronavírus. Trabalhadores informais, autônomos e diversas pessoas que perderam seus empregos passam a encontrar mais dificuldades em garantir o mínimo de renda necessária para suprir suas necessidades básicas e se manter em isolamento social. Quando se trata das mulheres, que são a maioria entre os moradores das ocupações, a situação se agrava. Com o necessário fechamento das creches e escolas, são elas que ficam responsáveis pelos cuidados, agora integral, com os filhos, assim como são as principais responsáveis pela higiene doméstica. Com as possibilidades de trabalho reduzidas, não contando com a garantia de alimentação diária dos filhos nas creches e escolas e submetidas à espera lenta pelo auxílio emergencial, famílias inteiras precisam contar com a solidariedade para comer e acessar itens de higiene. Nesse momento, as doações de cestas básicas da ONG FASE, com quem temos parceria desde o início de 2019, foram fundamentais. As cestas contemplaram todas as famílias da Ocupação Povo Sem Medo, na Pavuna. As Brigadas Populares consideram que a solidariedade de classe é um elemento da vitória”, Michele Tinoco, militante das Brigadas.

 

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