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12/07/2017Justiça Ambiental

Organizações e movimentos defendem florestas fora de mercados de carbono

Medida quer trazer mudanças que colocariam em risco a integridade ambiental do país e do planeta, além da arquitetura do Acordo de Paris


Mais de 50 organizações e movimentos sociais brasileiros¹ que atuam em pautas relacionadas a meio ambiente, direitos humanos, direitos dos trabalhadores, povos indígenas e povos e comunidades tradicionais protocolaram no Ministério do Meio Ambiente e no Ministério das Relações Exteriores a “Carta em defesa da posição histórica do Brasil sobre offsets florestais”. Trata-se de uma reação a tentativas de viabilizar o uso de florestas em mercados de compensação de emissões de carbono (offsets), medida vista como falsa solução ao desafio das mudanças climáticas. 

 COP 21 em Paris. (Foto: Fotos Públicas)

“Alguns atores têm usado o momento de negociação da implementação do Acordo de Paris, a crise política e a turbulência econômica pela qual o país e o mundo passam como pretexto para demandar medidas a favor de offsets”, afirmam as organizações. Segundo elas, o esforço beneficiaria aqueles que continuariam emitindo gases de efeito estufa ou receberiam recursos mobilizados, mas traria graves consequências para o Brasil e o mundo.

Na carta, elas apontam oito justificativas para considerar os offsets florestais uma medida que apenas agravaria a crise climática. Entre os argumentos, está a falsa equivalência entre o carbono emitido por combustíveis fósseis e o capturado pelas árvores; o aprofundamento de desigualdades; e o fato de que a compensação via offsets geraria incentivos para países segurarem a ambição de suas metas de redução de emissões perante a ONU.

Desta forma, as signatárias defendem o posicionamento histórico do Brasil de não considerar projetos de redução de desmatamento, conservação e recuperação de florestas elegíveis para a geração de créditos de carbono. “Não podemos desviar a atenção das verdadeiras soluções e das políticas necessárias de enfrentamento à crise climática”, afirmam.

[1] A FASE está entre as organizações que assinam a carta. Leia o documento na íntegra.

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