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18/05/2020Amazonia

PA: Movimentos sociais exigem providências no combate à Covid-19

38 organizações e movimentos sociais de Santarém protocolaram manifesto que alerta para possível colapso na rede estadual de saúde, caso não sejam adotadas medidas mais eficazes de isolamento social


Élida Galvão¹

Preocupados com o avanço dos casos de Covid-19 na região, representantes de 38 organizações e movimentos sociais de Santarém, no Oeste do Pará, protocolaram documento na prefeitura municipal solicitando avaliação permanente das medidas restritivas adotadas pelo prefeito Nélio Aguiar. O manifesto, entregue no dia 16 de maio, alerta para o possível colapso na rede estadual de saúde, caso não sejam adotadas medidas mais eficazes de isolamento social.

No Pará, os dados oficiais registrados até este sábado (16) indicam 13.464 casos confirmados, com 1.223 óbitos por Covid-19. Na região do Baixo Amazonas são contabilizados mais de 600 casos confirmados, atingindo os municípios de Alenquer (95), Almeirim (60), Belterra (9), Faro (5), Curuá (15), Juruti (80), Mojuí dos Campos (11), Monte Alegre (18), Óbidos (10), Oriximiná (34), Prainha (5), Terra Santa (10). Santarém, o maior município da região, já acumula 335 casos confirmados, com 26 óbitos. Os dados são da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde Pública do Pará (SESPA)  atualizado.

Com o avanço acelerado da curva de contágio, as organizações denunciam a incapacidade da rede de saúde local em atender os casos da Covid-19.  Localizado em Santarém, o Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA) é considerado referência no atendimento, acolhendo pacientes de cerca de 20 municípios próximos, entre eles populações de comunidades tradicionais, e já se encontra sem condições de atender casos de alta complexidade.

Entre as reivindicações, está a integração de representantes da sociedade civil ao Comitê de Gestão de Crise para o acompanhamento das responsabilidades sanitárias no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). E, além de firmarem um posicionamento favorável ao decreto de lockdown, pedem que a prefeitura desenvolva ampla campanha de esclarecimento e orientações sobre a gravidade da pandemia na região, dissemine informações preventivas e proporcione medidas de segurança e proteção de profissionais em atividades consideradas essenciais.

De acordo com Sara Pereira, educadora do programa da FASE na Amazônia, “em apenas um dia foram confirmados 169 casos”. Para ela, o lockdown se faz urgente e necessário em Santarém, pois as últimas projeções cientificas mostram que as próximas semanas serão dramáticas quanto ao aumento de casos confirmados. A situação preocupa mais ainda porque a rede de saúde da região já aponta para um colapso, sem leitos disponíveis para atendimento.

“Reivindicamos uma série de medidas para combater o avanço da pandemia em Santarém, como garantia de EPIs [Equipamentos de Proteção Individual] para os profissionais da saúde, aumento do número de leitos, uma ampla campanha de divulgação e informação para a população, porque nós percebemos que infelizmente, influenciada pelas fakenews, muita gente ainda acredita que essa doença é só uma gripezinha. É preciso ser feito uma ampla campanha sobre os reais danos e os riscos à vida que o coronavírus representa para toda a população”, diz Sara.

Lockdown

Na última segunda-feira (11), dez municípios do estado do Pará tiveram que se adequar às regras de isolamento total com o lockdown decretado pelo governador Hélder Barbalho. Na manhã deste sábado (16), o prefeito de Santarém, Nélio Aguiar, anunciou a abrangência da medida ao município por um prazo inicial de 10 dias. A decisão foi motivada pelo aumento do número de casos na região e a falta de leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). 

Ao manifestar-se sobre a crise de saúde em Santarém, a secretária municipal de saúde, Dayane Lima, demonstrou preocupação com o “aumento estratosférico” no número de casos a ser vivenciado nas próximas semanas. “A solução encontrada (lockdown) é um remédio amargo, porém, se cumprido à risca fará diminuir nossa curva de contaminação a longo prazo”, pontou.

Quando o decreto entrar em vigor, somente as atividades consideradas essenciais poderão funcionar, a circulação de pessoas e de veículos particulares ficará restrita, podendo ser passíveis de multa em caso de desobediência. A medida está prevista para entrar em vigor na próxima segunda-feira (18) ou terça-feira (19), a depender da inserção no decreto estadual. 

Leia o manifesto

[1] Jornalista do Fundo Dema

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