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26/10/2017Pernambuco

Pescadores artesanais convocam para ato contra obras no Porto de Suape

O objetivo é denunciar os danos ambientais provocados pela nova obra de dragagem, na parte interna do Complexo Industrial do Porto de Suape, incluindo a área da Ilha de Tatuoca  


 

Pescadores da Associação dos Pescadores e Pescadoras Profissionais em Atividade do Cabo de Santo Agostinho, da Colônia de Pescadores Z-08 do Cabo, em Pernambuco, com apoio do Conselho Pastoral dos Pescadores do Nordeste realizam ato público na próxima terça (31), na Ilha de Tatuoca. A concentração está marcada para às 8h, na praia de Suape. O objetivo é denunciar os danos ambientais provocados pela nova obra de dragagem, na parte interna do Complexo Industrial do Porto de Suape, incluindo a área da Ilha de Tatuoca. A obra, que dá continuidade à ampliação do complexo de estaleiros navais instalados no Porto, tem início previsto no final deste mês.         

Segundo o pescador Lailson Evangelista, da Colônia Z 08, além do aprofundamento do canal interno de acesso ao Estaleiro Vard Promar, a obra prevê a remoção de bancos de marisco da espécie maliocardia brasilianai. “Nessa área, onde hoje trabalham mais de 80 pescadoras, a produção de marisco e o ecossistema serão amplamente prejudicados”, diz.

Frente à iminência da obra, no dia 18, lideranças de pescadores solicitaram a intervenção urgente do Ministério Público Federal. Além de apelar para a preservação dos manguezais e do ecossistema da região. Os trabalhadores reclamam da falta de aviso, diálogo e informação. “O Complexo de Suape simplesmente nos comunicou poucos dias atrás que iria realizar a dragagem, mas não pediu a nossa opinião ou nos informou sobre os impactos esperados. Estamos muito apreensivos. Este mesmo tipo de obra já ocorreu no passado e trouxe grandes danos ao meio ambiente que perduram até hoje em todo o litoral sul”, destaca Evangelista.

Extinção

A Agência Estadual do Meio Ambiente (CPRH) já autuou diversas vezes o Complexo de Suape por crimes ambientais, mortandade de espécies protegidas por lei, além do impacto e destruição de territórios pesqueiros entre os municípios de Ipojuca e do Cabo de Santo Agostinho. “Espécies de grande importância para a economia do nosso litoral foram quase extintas e as comunidades pesqueiras, que dependem desse ecossistema para trabalhar, também”, denuncia Evangelista.

O Conselho Pastoral da Pesca (CCP) lembra que a instalação dos estaleiros Atlântico Sul e Vard Promar provocou uma limpeza étnica e social na região. “Dezenas de famílias nativas de pescadores e agricultores familiares foram expulsas da região, sem falar que as vegetações de mangue e mata atlântica vêm sendo destruídas”, lembra o educador social do CPP-NE, Bill Santos.

 

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