Alcindo Batista¹

Seguindo com as comemorações pelos seus 60 anos, a FASE realizou o segundo encontro encontro virtual. Com tema “Esperança: a FASE acredita, e você?”, Letícia Tura, diretora da FASE, mediou a conversa entre o escritor Itamar Vieira Júnior, a economista e professora Laura Carvalho e a professora Zélia Amador de Deus para falar sobre a esperança em tempos de retrocessos políticos. Outro ponto da conversa foi sobre as como fortalecer o esperançar para seguir lutando com resistência e resiliência junto aos movimentos sociais e organizações de direitos humanos.

Itamar destacou que a esperança é semeada a todo momento. “Ainda quando estamos brigando e reclamando, esse reclamar é uma forma de esperança. O inconformismo é uma forma de semear a esperança e essa é uma esperança que vem de muito tempo, como a professora Zélia bem falou. A gente pode pensar nos povos que aqui estavam, podemos pensar na diáspora negra quando as pessoas vieram destituídas de sua dignidade, até de sua humanidade porque aquilo foi algo hediondo que reverbera até os nossos dias, mas elas não se dobraram. Elas semearam esperança e a prova essa, estamos aqui”

Durante o bate-papo, uma série de questões foram surgindo. Dentre elas a importância do Auxílio Emergencial para a redução das desigualdades e o racismo na região Amazônica. A economista Laura Carvalho, trouxe para o debate a diferença de renda entre homens brancos e mulheres negras. Ela mencionou o estudo “Quanto fica com as mulheres negras? Uma análise da distribuição de renda no Brasil“, realizado pelo Centro de Macroeconomia das Desigualdades da USP (Made), que mostra que os homens brancos do 1% mais rico do país tem mais renda do que todas as mulheres negras somadas. “Enquanto esse 1% continuar exercendo poder na nossa democracia, vamos continuar reproduzindo uma estrutura que coloca o Brasil como um dos países mais desiguais do mundo”, analisa.

Esperança e democracia

A professora Zélia Amador de Deus destacou que, ao longo da história do Brasil, tivemos poucos momentos democráticos, mas que não temos uma democracia de fato. “Não dá para pensar em construir uma sociedade democrática enquanto houver racismo, machismo e classismo, não haverá democracia”.

Ela ainda parabenizou a FASE e afirmou que “nós, população negra, assim como a FASE, acreditamos na esperança. Desde quando fomos arrancados do nosso continente, os nossos quilombos eram as nossas sociedades da esperança”.

Letícia encerrou o evento anunciando a realização de um seminário presencial, marcado para Abril de 2022, ainda em comemoração aos 60 anos da FASE.

[1] Estagiário, sob supervisão de Cláudio Nogueira.