Suzana Devulsky
04/07/2024 14:57

Entre os dias 26 a 28 de junho, a FASE realizou o módulo II do Curso de Formação de Multiplicadores/as sobre Agricultura, Floresta e Justiça Climática. O evento aconteceu em Brasília, no Instituto São Boaventura, e teve a presença de quarenta e quatro representantes de organizações e movimentos sociais de todas as regiões do país (ANA, Rama, MIQCB, CUT, Fetagri, CONTAG, CONTAR, CONFREM, Coiab, MAB, MST, MPA, Rede PCTs, Apib, ACBANTU, CONAQ, Inesc, Terra de Direitos e FASE).

O curso foi dividido em três módulos, o primeiro aconteceu em março e focou na governança global climática, os mercados de carbono, o financiamento climático e os direitos territoriais, já o terceiro acontecerá em agosto e abordará os instrumentos para a garantia e proteção de direitos e transição justa. 

Nesse momento em que o Governo Federal planeja rever as políticas climáticas, é fundamental fortalecer a atuação das lideranças do campo, das florestas e das águas nos espaços de incidência climática nacional e internacional para a defesa dos seus direitos, territórios e acesso a políticas públicas emancipatórias.

Célia Cristina, da Coordenação Executiva da CONAQ (Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos), e representantes do Quilombo Acre, município de Cururupu, Maranhão, disse que a participação no curso é fundamental para que esse debate seja internalizado na organização. 

A questão das mudanças climáticas, os (eventos) extremos que vêm ocorrendo hoje no país, são um impacto direto com a nossa população, independente dos biomas que estamos. Então, isso é de fundamental importância que a CONAQ comece a fazer esse debate mais, internalizar esse debate, inclusive das suas políticas, da sua reivindicação política”, explica.

Para ela, o tema que mais chamou atenção nesse segundo módulo foi a relação entre as mudanças climáticas e a agricultura familiar quilombola. “Tem tudo a ver com o que a gente faz, com a nossa produção e com a nossa relação com a natureza e os extremos climáticos que aí estão”.

Luiza Carolina, do GT Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), defendeu a inclusão da participação social no debate climático utilizando as abordagens e metodologias dos próprios coletivos e movimentos sociais.

“(É preciso) tirar um pouco dessa questão que o governo apresenta de que todos os debates são feitos de forma técnica. Inclusive porque nessas organizações há diversas metodologias, há diversas experiências que são, sobretudo, científicas. Que são técnicas, e que nem sempre dentro dos espaços de participação social elas conseguem aparecer, (…) pela ausência desses espaços e pelas metodologias que esses espaços têm sido construídos, que não garantem uma participação efetiva das organizações. E também porque o debate não pode ficar necessariamente em uma perspectiva política de governo. É preciso que se amplie, é preciso que as organizações participem efetivamente e que a gente consiga ver nos resultados essa participação. Que a gente consiga inclusive fazer modificações no que já está dado, de ter uma interferência real no que o governo apresenta nesse debate do plano clima”, afirmou.

A assistente da Secretaria de Meio Ambiente da CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), Damyres Moraes, compartilhou o que mais a interessou no segundo módulo, “Políticas Federais e Estaduais sobre Agricultura, Floresta e Clima”:

“Ontem nós pudemos ver as NDCs (Contribuição Nacionalmente Determinada, na sigla em inglês). Foi um tema que me chamou bastante a atenção porque a contribuição que o Brasil tem que ter para colaborar, cooperar e levar para as COPs. […] E hoje, com o tema sobre o mercado de carbono, que me interessa bastante também. Então está sendo muito proveitoso, está sendo muito importante para mim.”

Damyres reiterou a relevância dos temas abordados para compreender o cenário em que vivemos e se disse honrada de poder fazer parte da formação. Seu objetivo é poder levar os conhecimentos adquiridos para os integrantes da CONTAG.

“(Quero) levar esse tema também para a CONTAG, que estou representando. Levar para a nossa base, para os nossos agricultores, que não é um tema fácil de compreender. Nós temos que ter uma linguagem mais simplificada em relação aos agricultores. Então é importante que a gente tenha essa capacitação nesse curso para que a gente possa levar com uma linguagem melhor para eles, para que eles possam entender”, concluiu.

*Comunicadora da FASE