Rebecka Santos
27/03/2026 14:00
Fortalecer a agricultura urbana como estratégia de transformação social, segurança alimentar e enfrentamento às mudanças climáticas é o objetivo do projeto Tecendo Saberes, Práticas Agroecológicas e de Incidência, desenvolvido pela FASE Pernambuco em territórios da Região Metropolitana do Recife (RMR). A iniciativa é apoiada pelo Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), órgão da administração direta do Estado de Pernambuco.
Mulheres de dez territórios participam do projeto, que articula formação, intercâmbio de experiências e processos coletivos de organização social. A proposta também aposta no fortalecimento da Articulação de Agroecologia e Agricultura Urbana e Periurbana da Região Metropolitana do Recife (AUP RMR), rede que reúne iniciativas comunitárias e organizações sociais voltadas à produção de alimentos saudáveis e defesa do direito à cidade.
“A iniciativa busca potencializar o papel da agricultura urbana nos territórios, promovendo práticas agroecológicas, ampliando conhecimentos e fortalecendo a incidência política de agricultoras urbanas na formulação de políticas públicas”, afirma Natália Alves, bacharel em Agroecologia e educadora da FASE PE.
De acordo com o mapeamento em Agroecologia Urbana, Periurbana e Rural na Região Metropolitana de Recife realizado pela AUP RMR, são aproximadamente 111 iniciativas de Agricultura Urbana mapeadas dentre os municípios de Recife, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe, Paulista, Olinda, Abreu e Lima, Cabo de Santo Agostinho, São Lourenço da Mata, Moreno, Igarassu. “Neste universo, desenvolvem-se diversas experiências produtivas quais sejam: cultivos de hortaliças, plantas medicinais, ervas aromáticas, raízes, tubérculos, frutíferas e plantas ornamentais, fitoterápicos, além da criação de animais de pequeno, médio e grande porte”, destaca a pesquisa.
A Agricultura Urbana no Recife tem um forte protagonismo das mulheres nos territórios e, desde 2018, elas vêm criando estratégias que buscam o reconhecimento e a valorização do papel que as mulheres desempenham para a garantia de segurança alimentar e nutricional nas famílias e nos processos de transição agroecológica.
Em mais um ano de eleição, o grupo reforça a necessidade de participação popular na criação de Políticas Públicas voltadas para Agricultura Urbana, Periurbana e de Pesca Artesanal Urbana das cidades da RMR. Nos encontros, as mulheres destacam que, embora as injustiças climáticas as atinjam diretamente, elas não se sentem representadas nos espaços oficiais de decisão, como a COP 30, por exemplo, realizada no Brasil em novembro de 2025.
Unindo o aprendizado teórico e as dimensões técnico-pedagógicas ao trabalho direto com a terra, mulheres periféricas transformam a vida na comunidade através da Agricultura Urbana. Semanalmente, a FASE PE realiza atividades de manejo nas hortas comunitárias junto às lideranças e promove encontros bimensais para discutir temas como Agricultura urbana; Direito à cidade; Soberania e segurança alimentar e nutricional; Justiça socioambiental; Justiça climática; Autogestão coletiva.
*Comunicadora da FASE Pernambuco




