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04/11/2016Amazonia

Movimentos do Pará realizam preparatório para VIII Fórum Social Pan-Amazônico

No dia 9 de novembro acontece, em Belém (PA), o encontro preparatório para o VIII Fórum Social Pan-Amazônico (VIII FSPA), que será realizado em entre abril e maio de 2017, na cidade de Tarapoto, no Peru


Lilian Campelo¹

Cartaz de divulgação do VIII Fórum Social Pan-Amazônico (VIII FSPA) / Divulgação
Cartaz de divulgação do VIII Fórum Social Pan-Amazônico (VIII FSPA) / Divulgação

Segundo os organizadores do encontro, o objetivo do fórum é mobilizar o debate de propostas para enfrentar os desafios da região, reunindo e articulando movimentos populares, povos indígenas e comunidades tradicionais dos países da bacia Amazônica contra a pressão de grupos econômicos que visam explorar os recursos naturais e construir grandes obras de infraestrutura que ameaçam os povos da floresta.

A organização do VIII FSPA conta com comitês nacionais e um internacional, que se subdividem em comitês locais. Na região norte, estão formalizados comitês locais em Belém (PA), Macapá (AP), Santarém (PA), Manaus (AM), Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO). No Pará, também serão realizados pré-encontros em Altamira e Itaituba. Além do Brasil, a Pan-Amazônia é composta pela Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Guiana Francesa e Suriname.

Conjuntura e propostas

Guilherme Carvalho, coordenador do Programa da FASE na Amazônia, avalia que há semelhanças entre os cenários políticos dos países da região, como Peru e Brasil, que, segundo ele, apresentam um governo conservador voltado para uma política macroeconômica baseada na privatização e em uma maior abertura do mercado.Por isso, uma das propostas do fórum é analisar a relação da Pan-Amazônia no contexto da expansão do capital e dos novos acordos políticos que se constroem.

Gilherme e Leusa Munduruku. (Foto: Arquivo pessoal)
Gilherme e Leusa Munduruku. (Foto: Arquivo pessoal)

A China seria um dos atores mais relevantes neste cenário, segundo Carvalho, pois vem interferindo economicamente nas negociações de projetos estratégicos da região. “Ainda não conseguimos mensurar o poder que a China tem adquirido nos últimos anos, a influência que ela tem nas políticas nacionais, seja nos acordos comerciais, seja pelos investimentos diretos. É hoje o primeiro ou segundo parceiro da grande maioria dos países da Pan-Amazônia”, analisa.

Camila Moreno, autora do livro Brasil made in China (Fundação Rosa Luxemburgo, 2015, 116 páginas), afirma que, entre 2009 e 2013, o intercâmbio comercial entre Brasil e China aumentou 125,7%, passando de US$ 36,9 bilhões para U$$ 83,3 bilhões em produtos como soja, minério de ferro e petróleo. Neste cenário, movimentos populares e comunidades tradicionais e indígenas têm denunciado violações de direitos ambientais e humanos e, por conta disso, lideranças têm sido ameaçadas por grandes empresas, afirma Carvalho. “Por isso, o Fórum se propõe a discutir formas inovadoras de articulação e construção de plataformas de lutas e mobilizações sociais na região, de modo a combater a criminalização dessas organizações”, explica.

Também está na pauta do Fórum o debate sobre as mudanças climáticas e os mecanismos de mercado propostos para a diminuição de seus efeitos, como os créditos de carbono. A chamada “financeirização da natureza“, defende Carvalho, “tem um impacto terrível sobre as terras dos povos indígenas, extrativistas e quilombolas”.

Para se inscrever, é necessário preencher a ficha de inscrição e enviar para aldaliceotterloo@gmail.com, gcarvalho67@gmail.com, nildefrs2611@gmail.com e adimafmonteiro@gmail.com.

[1] Publicada originalmente no site Brasil de Fato.

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