Mulheres

Historicamente os movimentos de mulheres e feministas conseguiram avanços legais, culturais e políticos. Ainda assim, o machismo não é algo do passado. As relações de gênero no país, marcadas pelo patriarcado, permanecem desiguais. A concepção dominante da economia segue privilegiando o trabalho produtivo dos homens e tornando invisível a maior parte do trabalho das mulheres, em especial o trabalho reprodutivo, ou seja, aquele que é feito fora da esfera pública, como o cuidado com a família e as crianças.

Apesar dos direitos conquistados, elas continuam ganhando salários menores que eles, uma diferença maior se considerados os elementos de classe, raça e etnia. Nas cidades, a elitização dos espaços públicos acontece em detrimento da garantia de direitos como moradia, transporte e saneamento. Nesse contexto, as mulheres são as mais fortemente impactadas por grandes projetos de infraestrutura e por megaeventos, que comumente atendem prioritariamente áreas de expansão de negócios privados.

Em relação à violência contra as mulheres, alguns avanços se destacam: tornar público um problema até então considerado privado e a conquista de políticas públicas de atendimento às vítimas. Porém, permanece o desafio de transformar a cultura machista que continua violentando as mulheres no país. Para as negras, a situação é agravada pelo racismo em suas diferentes expressões.

(Foto: Arquivo ANA - Articulação Nacional de Agroecologia)
Auto-organização das mulheres é central para a conquistas de direitos (Foto: Arquivo /ANA)

Diante disso, a FASE toma como central a causa “Organização das Mulheres como Sujeitos de Direitos”, atuando junto a trabalhadoras urbanas, agricultoras familiares, quilombolas, pescadoras e agroextrativistas por meio do fortalecimento de grupos de mulheres, redes e fóruns. São exemplos: o Grupo das Margaridas do Assentamento Margarida Alves (MT), a Rede em Defesa dos Direitos Humanos das Mulheres da Zona da Mata (REDHUMA – PE) e o Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense (FMAP). No âmbito nacional participa de ações da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e da Articulação das Mulheres Brasileiras (AMB).

A tônica desse trabalho é a formação política e a construção da autonomia econômica das mulheres, já que estes são caminhos para se enfrentar diferentes formas de discriminação. Essa atuação articula ações no âmbito local, regional e nacional, contribuindo com o fortalecimento da identidade delas como trabalhadoras e reconhecendo que a conquista de direitos não está dissociada do processo de auto-organização.

As mulheres, que desempenham um papel central na agricultura familiar e agroextrativista, sofrem os  impactos do avanço do agronegócio. Por isso, a FASE apoia também campanhas e desenvolve um trabalho educativo, denunciando os prejuízos das monoculturas e do uso de venenos e transgênicos para a saúde humana e o meio ambiente. E incentiva a construção de práticas agroecológicas, que além de diversificarem a produção para uma alimentação adequada e saudável e respeitarem a natureza e as culturas, fortalecem a autonomia das mulheres.

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