Jaqueline Santos
14/05/2026 11:33
A atividade reuniu representantes da sociedade civil, do GT de Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia, da Articulação Amazônica de Agroecologia (ANA Amazônia), do CTA da Zona da Mata, da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), do SASOP, entre outras organizações, além da ST Mulheres da CNAPO e do GT de Mulheres do CONDRAF. O encontro fortaleceu um espaço estratégico de diálogo entre o governo federal e organizações que atuam diretamente com assistência técnica em territórios rurais, periurbanos e urbanos, especialmente junto às mulheres agricultoras, assentadas, agroextrativistas, quilombolas, indígenas e comunidades tradicionais.
Representando a Amazônia, participaram integrantes da FASE Amazônia, da Associação Agroecológica Tijupá e do Movimento Camponês Popular (MCP), organizações e movimentos que integram a Articulação Amazônica de Agroecologia (ANA Amazônia), além de representação indígena do povo Tembé, do Pará. A presença amazônica reafirmou a diversidade de sujeitos, territórios e experiências que constroem a agroecologia na região e fortalecem a incidência política das organizações populares nos debates sobre assistência técnica e extensão rural voltadas às mulheres
A presença das organizações amazônicas reforçou a importância de que as políticas públicas de ATER considerem as especificidades socioterritoriais, culturais e ambientais da região amazônica, marcada pela diversidade dos modos de vida, pela resistência dos povos e comunidades tradicionais e pelos constantes enfrentamentos em defesa dos territórios diante do avanço dos crimes ambientais.
Ao longo dos três dias, o grupo
debateu eixos fundamentais para a elaboração da nova chamada pública de ATER Mulheres, com destaque para a defesa da agroecologia como estratégia de produção de alimentos saudáveis, conservação da biodiversidade e enfrentamento da crise climática. Também estiveram no centro das discussões o fortalecimento do protagonismo das mulheres, o enfrentamento ao racismo e à LGBTfobia no campo, nas cidades, nas florestas e nas águas, além da necessidade de políticas que promovam autonomia econômica, organização coletiva e participação política das mulheres.
Outro ponto considerado essencial pelas participantes foi a construção de estratégias voltadas à sucessão rural e à permanência da juventude no campo, garantindo condições dignas de vida, produção, formação e geração de renda para as novas gerações. Para as organizações da Amazônia, pensar a permanência da juventude nos territórios também significa defender os modos de vida tradicionais, os conhecimentos ancestrais e a proteção dos territórios frente ao avanço das violências e dos conflitos socioambientais.
A oficina reafirmou a importância da construção coletiva das políticas públicas, especialmente daquelas voltadas às mulheres agricultoras e agroextrativistas. A participação ativa das organizações amazônicas contribuiu para trazer ao debate nacional as experiências concretas desenvolvidas nos territórios, fortalecendo a defesa de uma assistência técnica pública, popular, feminista, antirracista, agroecológica e anti-LGBTfóbica, construída a partir da escuta das mulheres e das realidades vividas nos diferentes territórios do país.
A expectativa é que a nova chamada pública ATER Mulheres avance no fortalecimento das iniciativas agroecológicas das mulheres, ampliando o acesso às políticas públicas e reconhecendo o papel fundamental das mulheres amazônidas na produção de alimentos, da sociobiodiversidade e na construção do Bem Viver.
*Educadora da FASE Amazônia

