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12/03/2013Espírito SantoJustiça Ambiental

400km para questionar: “Quem ganha com o pré-sal?”

II Pedal contra o Pré-Sal abre diálogo com comunidades sobre impactos do petróleo no ES


Lívia Duarte, da FASE

 Seis ciclistas percorreram cerca de 400km, saindo de Vitória em direção a Conceição da Barra, no norte do Espírito Santo, com o objetivo de seguir o mapeamento dos impactos causados pela exploração do petróleo sobre as comunidades no estado.

Paulo Henrique de Oliveira é técnico ambiental da FASE e fez o percurso de bicicleta pela terceira vez. Ele explicou que na primeira experiência – quando ainda não trabalhava com a FASE – fizeram um percurso mais livre, mas já passaram pelas comunidades impactadas por diversas atividades industriais, especialmente as da cadeia da celulose, visto que ele acompanhava há anos a resistência de comunidades indígenas e quilombolas. No ano passado o trajeto, que pela primeira vez foi apoiado pela FASE, ganhou cara de projeto e objetivo de sistematizar informações. O II Pedal contra o Pré-Sal foi pensado para solidificar dados já levantados e buscar novos caminhos de diálogo com a população afetada.

E sair de bicicleta por aí não foi vantajoso por não “queimar petróleo”, apenas. “A curiosidade que gera quando o grupo chega numa comunidade como Regência, uma povoação com poucos habitantes, é grande por estarmos de bicicleta. Causa surpresa nas pessoas que não acham possível sair da capital até tal lugar. E isso já abre um diálogo direto”, comentou Paulo Henrique, completando: “É uma coisa mais ‘humana’ chegar de bicicleta do que de carro”.

Entre as histórias que escutou, Paulo Henrique destaca o que ouviu em Pontal do Ipiranga. “Uma pescadora profissional contou que um abalo sísmico provocado pela Petrobras ao perfurar um poço derrubou a casa dela e a parede da igreja católica da comunidade em Degredo, município de Linhares. Não vimos os efeitos porque aconteceu em um lugar que saía demais do percurso, mas esse diálogo vai continuar, assim como os insitados pelos relatos de lagoas contaminadas”, comentou, afirmando que estacionadas as bicicletas, o trabalho continua: agora começa a parte de sistematização das informações para divulgação de um relatório sobre as observações em breve.

Conforme afirmou Daniela Meireles, técnica da

FASE, durante o ato em frente a sede da Petrobras realizado antes da viagem dos cicloativistas, uma das maiores motivações para a realização do movimento é o aquecimento global. “O Brasil está na contra mão do mundo. Nosso movimento contra a exploração do petróleo está sendo realizado em todos os países da América Latina”. Conforme contou a reportagem publicada então, o grupo questiona “quem” é o real beneficiário da energia produzida a partir do petróleo para questionar que outras fontes poderiam ser usadas com menor impacto socioambiental.

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