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25/01/2016Mato Grosso

Mulheres do MT trocam experiências sobre manejo agroecológico de pequi

Grupos de mulheres do MT trocam experiências sobre cultivo e processamento agroecológicos de pequi. As participantes do intercâmbio de associações dos municípios de Terra Nova do Norte e Cáceres já fazem planos de um novo encontro, com o objetivo de trocar e plantar diferentes qualidades de pequizeiros


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Mulheres da Arpep, de Cáceres, que receberam as visitantes de Terra Nova do Norte. (Foto: Andrés Pasquis/Gias)

Mulheres da Associação da Agricultura Familiar do Portal da Amazônia (AAFPA) percorreram cerca 800 quilômetros, rasgando de ponta a ponta o estado do Mato Grosso, para visitar o grupo de mulheres da Associação Rural de Produtoras Extrativistas do Pantanal (Arpep). Elas foram de Terra Nova do Norte até Cáceres para entender como funcionam a organização, o processamento e a produção de produtos agroecológicos derivados do pequi.

A Arpep está composta por quatro grupos que elaboram produtos derivados do babaçu, cumbaru e pequi, sendo este último a especialidade das Amigas da Fronteira, com a produção de farinha, pão, biscoitos e licor. Por essa razão e com o apoio do programa da FASE no Mato Grosso e o Instituto Ouro Verde (IOV), as visitantes do Portal da Amazônia conheceram na última semana a sede da Associação Extrativista localizada no Projeto de Assentamento Corixinha, município de Cáceres, na fronteira com a Bolívia.

A AAFPA, cuja sede se encontra a 670 quilômetros de Cuiabá, em Terra Nova do Norte, é uma associação existente desde 2008, que aprovou em 2013 um projeto do Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPP-Ecos), denominado ‘Cozinha de Processamento de Pequi’. O objetivo da iniciativa é desenvolver o processamento da fruta e o armazenamento da produção atendendo todas as normas sanitárias.

Representantes da Associação do Portal, acompanhadas por Dorvalino Savi Veronezi, técnico do IOV, participaram do intercâmbio agroecológico. A atividade incluiu teoria e prática da colheita, o processamento e a transformação do pequi, além da degustação de produtos. Nesse contexto, os principais destaques do encontro foram a organização administrativa, econômica e social da Arpep, intimamente ligada à luta diária das mulheres por autonomia e dignidade.

Troca de saberes sobre processamento de pequi (Foto: Andrés Pasquis/GIAS)
Troca de saberes sobre processamento de pequi (Foto: Andrés Pasquis/GIAS)

No primeiro dia do encontro, na quarta-feira (20), durante uma reunião na sede da FASE em Cáceres, Franciléia Paula de Castro, educadora da organização, e Erica Kazue Sato Catelan, presidenta da Arpep, apresentaram a história da Associação desde seu começo, em 2005, sua criação, em 2009, as dificuldades enfrentadas no percurso e as conquistas alcançadas até hoje. Erica explicou que para que uma associação como essa funcione, é imprescindível a organização, comprometimento e a colaboração de todas as integrantes, já que independentemente das associações e municípios aos quais pertencem, os cargos e a responsabilidade estão repartidos entre todas. “A luta sempre foi e é intensa, enfrentamos muitas dificuldades, desde a falta de recursos e assistência até a visão machista da sociedade, do município e do lar sobre a mulher. Mas foi assim que conseguimos participar do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e conquistar o prêmio “Mulheres Rurais que produzem o Brasil Sustentável”, disse a presidenta.

Troca e articulação de saberes

“As conquistas só foram possíveis graças a um diálogo constante, pensando como um todo, a Arpep. Por exemplo, todos os projetos, despesas e lucros incluem suas quatro associações e os recursos são repartidos de maneira justa em função da prioridade, já que se entende que se a Arpep cresce, todas crescem”, completou Franciléia explicando sobre como as decisões são tomadas nas reuniões.

As visitantes puderam testemunhar essa realidade nos dias seguintes, com as Amigas da Fronteira. Rosimeire Aparecida Siqueira, coordenadora da Associação Fronteiriça, explicou-lhes que todas as atividades e produtos representam a integralidade das mulheres dos quatro grupos, e que é essa solidariedade que ajuda a vencer obstáculos, como o medo de agir, de enfrentar os outros ou de fracassar, sempre presentes.  “Quando uma das associações tem um problema, o problema é de todas, por isso precisamos ter compromisso e parceria, até quando podem surgir tensões entre nós”, disse.

Janete Santos de Almeida Montovani, presidenta da AAFPA, e suas colegas expressaram a satisfação com os conhecimentos recém-adquiridos e a admiração pela hospitalidade e luta quotidiana das anfitriãs. “Estamos retornando impressionadas e inspiradas por esta experiência, que nos incentiva para enfrentar as dificuldades de nossa própria luta, através de organização e solidariedade. Esperamos que logo possamos acolher mulheres da Arpep para um novo intercâmbio em Terra Nova”, afirmou.

Mandala de pequis do Mato Grosso. (Foto: Andrés Pasquis/GIAS)
Mandala de pequis do Mato Grosso. (Foto: Andrés Pasquis/GIAS)

Nesse sentido, as participantes do intercâmbio concordaram que esse futuro encontro não deveria demorar, já que as Amigas da Terra gostariam de conhecer um pequi diferente, o do Portal, além de trocar e plantar pequizeiros e, assim, ter árvores próprias da Arpep, não dependendo mais do empréstimo de terrenos alheios.

Entre os diversos projetos de 2016, a Arpep pretende conquistar e informar o consumidor cacerense, diversificar sua produção através da implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) e acessar novos mercados, além do PAA e de feiras, sempre com foco na agroecologia e no empoderamento das mulheres. No Portal da Amazônia, a AAFAP estará organizando a Cozinha de Processamento de Pequi e participando da criação de uma cooperativa de produção agroecológica em rede.

[1] Matéria de Andrés Pasquis, do Grupo de Intercâmbio em Agroecologia (Gias).

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