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30/07/2021MulheresRio de Janeiro

RJ: Julho Negro debate a desmilitarização da vida

Evento marcou o lançamento da publicação "Violências de gênero em contextos militarizados: uma cartografia escrita por mulheres", organizada pela FASE em parceria com moradores dos conjuntos de favelas da Maré e de Manguinhos


Alcindo Batista ¹

O programa da FASE no Rio de Janeiro, junto a outras organizações, lançou a publicação “Violências de gênero em contextos militarizados: uma cartografia escrita por mulheres” durante atividade virtual “Desmilitarização por elas”, ação realizada em comemoração ao Julho Negro.  No evento também houve a divulgação da revista “Fortaleza das mulheres: relatos sobre a militarização da vida”, organizada pelo Instituto Pacs.

Como a militarização afeta a vida das Mulheres? Essa foi a pergunta que deu início às discussões. “Estamos na linha de frente da resistência às injustiças e somos as mais vulneráveis por sermos mulheres, ainda mais pretas e periféricas, além de sofrer também pelo luto com a perda de alguém”, comentou Erika Batista. Nisso, Mônica Cunha, co-fundadora do Movimento Moleque e que participou indiretamente da cartografia diz que a violência institucional prejudica tanto no seu relacionamento íntimo, quanto na criação dos seus filhos.

Todas concordaram que a repressão não é algo restrito às forças de segurança, mas ao sistema como um todo. “A militarização atingiu a sociedade tanto pelas forças de segurança como por trás de empresas, inclusive a mídia, que cegam a sua atuação. Que democracia é essa em que você tem tanques de guerra entrando na Maré?”, disparou Gizele Martins, da ONG Maré 0800. “A segurança pública não era pauta da favela, a preocupação era com ajuda social, educação e saúde para aí ser livre para viver a nossa humanidade, e aí desmilitarização nos desumaniza”, conta Marcelle Decothé, do Instituto Marielle Franco e do Fórum de Juventudes do Rio de Janeiro.   

No último bloco, as interlocutoras responderam dúvidas dos participantes sobre amenidades, a relação entre a militarização e o capital e os impactos na vida psicológica das mulheres. Michele Seixas, lésbica e moradora da Maré contou que “ser ‘sapatão’ em meio a esse contexto [de militarização], é falar dos medos. Os corpos das mulheres negras são os primeiro a cair e quando você vê alguém alvejado é algo que nunca se esquece”, comentou.

Em forma de contos

 “Violências de gênero em contextos militarizados: uma cartografia escrita por mulheres” é uma publicação escrita em forma de versos a partir de muitos encontros, onde todas as participantes puderam compartilhar sentimentos, emoções e autocuidado. “A gente ouve e briga tanto pelo outro que às vezes esquece de tratar de si”, contou Gizele Martins. “Foi quase que como fazer terapia, só que podíamos ter um refúgio umas nas outras”, completou Erika Batista. 

[1] Estagiário, sob supervisão de Claudio Nogueira. 

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