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08/10/2019Fundo Dema

Seminário debate tecnologias tradicionais e populares na Amazônia

O "Seminário de Saberes e Tecnologias Tradicionais e Populares na Amazônia" reuniu quilombolas, agroextrativistas, agricultores familiares de Abaetetuba e Barcarena, pesquisadores e militantes da causa socioambiental


Élida Galvão e Silvia Giese¹

Com o objetivo de contribuir para a preservação do meio ambiente e ao mesmo tempo garantir a valorização dos conhecimentos de populações tradicionais, o Fundo Dema, por meio do Fundo Socioambiental Barcarena e Abaetetuba, realizou o “Seminário de Saberes e Tecnologias Tradicionais e Populares na Amazônia”, nos dias 2 e 3 de outubro, no município de Abaetetuba, no Pará (PA), reunindo quilombolas, agroextrativistas, agricultores familiares de Abaetetuba e Barcarena, pesquisadores e militantes da causa socioambiental.

O debate sobre as tecnologias alternativas parte de uma perspectiva de práticas ambientais e socialmente justas, que aliam a defesa do meio ambiente aos conhecimentos e modos de vida de populações tradicionais. A programação foi realizada a partir de três eixos temáticos: Defesa Territorial, Produção Agroecológica e Segurança Alimentar e Tecnologias Alternativas. Entre as iniciativas apresentadas, os participantes tiveram a oportunidade de compreender melhor inventos de captação e aproveitamento de água, produção de energia solar, bem como a plantação orgânica de sementes crioulas, homeopatia da terra, cartografia social e Protocolos de Consulta Prévia Livre e Informada.

Foto: Fundo Dema

Na mesa de abertura estiveram presentes Letícia Tura, diretora executiva da FASE e representante da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA); Maíra Vasconcelos, integrante do Grupo de pesquisa Sociedade, Território e Resistência na Amazônia (Gesterra) da Universidade Federal do Pará (UFPA); João Costa Barros, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará (Fetagri); Tatiana Sá, do núcleo Puxirum Agroecológico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); e João Gomes, coordenador adjunto do programa da FASE na Amazônia e membro do Comitê Gestor do Fundo Socioambiental Barcarena e Abaetetuba.

Letícia Tura destacou a valorização da autonomia dos povos da Amazônia para a conquista de direitos. “Aqui temos várias iniciativas populares, territoriais que estão mostrando que um outro mundo é possível. Os fundos de pequenos projetos no Brasil estão mostrando que com um pequeno recurso você consegue fazer grandes coisas. Isso se enraíza lá naquela comunidade onde não chegaria o recurso de forma autônoma. Essa é uma palavra fundamental que a gente tem que ter para nós, ‘autonomia’ pra gente construir o nosso futuro e acho que essa é uma contribuição importante que o Fundo Dema dá ao território”.

Alternativas socioambientais

Em meio à programação, os participantes puderam conhecer iniciativas específicas que contribuirão para a construção de projetos coletivos pelas comunidades de Barcarena e Abaetetuba. Este foi um momento de troca de saberes importante para a definição de planejamentos.

Para Rosicleia Silva Ferreira, da comunidade quilombola Nossa Senhora do Bom Remédio, a oficina de tratamento de água chamou a sua atenção pela necessidade de ampliar o alcance de famílias beneficiadas com água de qualidade. “Lá na comunidade já existe uma estação, porém ela só consegue atender 100 famílias e nós somos 270”, diz Rosicleia, destacando que o território em que vive foi uma das áreas atingidas pelos rejeitos da Hydro², em 2017.

Foto: Fundo Dema

A oficina de energia solar foi o foco de José Anderson Gonçalves. Para ele, o seminário trouxe informações sobre a instalação, funcionamento e manutenção da estrutura. “Nossa comunidade já trabalha com a agroecologia e agora queremos criar uma pequena cozinha e uma pequena indústria para tirar a polpa das frutas que produzimos e poder comercializar. Com o dinheiro da comercialização podemos fazer a manutenção dos equipamentos para produção da energia de forma sustentável e limpa”, destacou o agroextrativista da comunidade Caramuru, em Igarapé Miri. 

Apoio a projetos coletivos

Por meio de edital, o Fundo Dema apoiará 80 iniciativas coletivas nos municípios de Barcarena e Abaetetuba. São estabelecidas três categorias de apoio: Implementação de Projetos, Regularização de Organizações e Constituição de Organizações. Com isso, a população também poderá submeter projetos comunitários relacionados às inovações tecnológicas tradicionais.

As propostas para as categorias Implementação de Projetos e Constituição de Organizações devem ser enviadas até o dia 18 de novembro. O regulamento pode ser acessado em www.fundodema.org.br.

 

[1] Matéria publicada originalmente no site do Fundo Dema.

[2] Empresa de mineração instalada na cidade de Barcarena (PA).

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