Alcindo Batista¹

Usando a chamada “tecnologia social”, que valoriza os conhecimentos tradicionais e amplia os resultados das suas práticas, o programa da FASE na Amazônia realizou a “Caravana Agroecológica das Águas”, no município de Igarapé-Miri, no Pará. Esta é uma ação que acontece por meio do projeto Amazônia Agroecológica², e teve como objetivo pensar em alternativas para as comunidades dos Projetos de Assentamentos Agroextrativistas (PAE) Ilha Juarimbu e Sumaúma, que sofrem com a entressafra do açaí, principal fonte de renda e de alimentação da região.

Viagem para Murutipucu. Foto: Arquivo Lourenço Bezerra

Lourenço Bezerra, educador da FASE, explica que o período crítico é entre agosto e dezembro e, nesse meio tempo, é comum muitos peconheiros viajarem atrás de trabalho nas plantações vizinhas, onde o período de colheita é diferente. Enquanto isso, as mulheres pensam em alternativas no próprio quintal, seja com artesanato, criando animais como porcos, galinhas e patos e cuidando de plantas medicinais e algumas hortaliças.

O educador, que esteve à frente da atividade, conta ainda que o desafio foi entender a realidade dessas populações, conhecidas como povos das águas. A partir daí, foram pensadas formas para geração de emprego e renda, além de garantir a soberania e segurança alimentar. Assim, em outubro aconteceram oficinas para construção de galinheiros agroecológicos, protegendo os animais dos predadores, seguindo dicas que estão na Nota Técnica sobre a criação de galinha caipira. Também foi feito um intercâmbio de ideias entre os moradores das comunidades Rio Maiauatá, Rio Murutipucu e Menino Deus no Rio Anapu, onde o evento foi realizado.

Visita ao quintal de Raimunda Almeida, em Murutipucu. Foto: Lourenço Bezerra

Rosângela Almeida, da comunidade Juarimbu, falou sobre a importância do incentivo à agricultura familiar e de como manter uma alimentação saudável, tanto no campo como na cidade. “Hoje, os agrotóxicos estão aí nos dando muita preocupação com as doenças causadas por eles”, pontua a agricultora. Rosângela completa dizendo que o fortalecimento da produção agroecológica é importante que que “tenhamos uma vida digna e que possamos viver mais”.

[1] Estagiário, sob supervisão de Cláudio Nogueira.

[2]