Alcindo Batista¹

Com o objetivo de promover o debate e a troca de saberes sobre os diferentes tipos de práticas e conhecimentos sobre a agroecologia, o programa da FASE na Amazônia vem realizando o programa de formação “Multiplicadores em Agroecologia”. A ação é realizada através do projeto Amazônia Agroecológica² e pretende discutir a relação dos agricultores familiares com a natureza, compartilhando conhecimento sobre os seus modos de vida, as diferenças étnico-raciais, afirmação identitária e concepção de território das populações. 

 

O curso foi realizado entre os dias 28 de setembro e 01 de outubro, no Centro de Treinamento e Tecnologia Alternativa (TIPITI), em Abaetetuba, na região do Baixo Tocantins, no Pará. Esta foi a primeira de uma série em quatro módulos e contou com a presença de 30 participantes –  representantes de três Projetos de Assentamentos Agroextrativistas  (PAE), quatro comunidades quilombolas e sete agroextrativistas dos municípios de Abaetetuba e Igarapé-Miri. 

Inicialmente, foi feita uma roda de conversa com produtores, onde eles puderam falar dos seus territórios, a sua relação com esse espaço e contar, a partir de desenhos ou encenações, alguma prática específica que eles utilizam. Depois, houve uma atividade prática com o desenvolvimento de dois tipos de sistemas de compostagem: uma através dos resíduos orgânicos das plantas dos quintais, que geralmente são queimadas; e outra com a criação de adubo doméstico, aproveitando todos os resíduos orgânicos das cozinhas, como cascas de frutas e restos de vegetais como frutas e legumes. 

Também vale destacar a realização de uma oficina sobre sementes tradicionais. Nela, cada participante trouxe uma semente da sua região e pôde contar a história daquele alimento, dos seus ancestrais e a importância dele para a segurança alimentar na sua região. A ação acabou resultando em uma feira, onde os participantes puderam trocar essas mesmas sementes, e ainda preservar o conhecimento que elas carregam. 

Retomada das atividades presenciais

O segundo período de aulas está previsto para acontecer entre os dias 17 e 19 de novembro. Lourenço Bezerra, educador do programa da FASE na Amazônia, destaca a importância dessa atividade em um momento de retomada das atividades de modo presencial, haja vista o distanciamento social imposto pela Covid-19. “Apesar dos problemas e das perdas que todos tivemos, a pandemia ensinou, por exemplo, a importância de focarmos na agroecologia e na preservação das espécies”. 

Lourenço aponta a importância da participação da juventude, muito atenta aos debates e dos intermódulos. Juliane Azevedo, da comunidade quilombola África, diz que a formação foi uma oportunidade de fazer novos amigos. “A interação com pessoas de diferentes lugares foi muito importante no nosso aprendizado, sabendo como é feita a agroecologia em cada um deles”, pontua a jovem, de 20 anos. 

[1] Estagiário, sob orientação de Cláudio Nogueira.

[2]