Maria Moura¹

Fortalecer a agroecologia nos territórios, desenvolver os saberes sobre os diferentes agroecossistemas, valorizar os conhecimentos e práticas tradicionais e aplicar os princípios da agroecologia, esses são alguns dos objetivos do projeto Amazônia Agroecológica², cujo Programa de Formação de Multiplicadores e Multiplicadoras em Agroecologia é parte.

O primeiro de quatro módulos, aconteceu no Quilombo Ribeirão da Mutuca, em Livramento, no Mato Grosso. Participaram da atividade famílias agricultoras do quilombo do Chumbo, Jejum, Morrinhos, Poconé, Comunidade São Manoel do Pari e de Nossa Senhora do Livramento.

Entre as atividades, os participantes puderam conhecer o território e a história do Quilombo Mata Cavalo, assim como a variedade de milho crioulo da Mutuca, cuja semente passou de geração em geração por mais de 130 anos. Segundo Maria Renata de Jesus, quilombola residente da comunidade, “esse milho está esparramado por aí, através da CPT [Comissão Pastoral da Terra], da FASE e do GIAS [Grupo de Intercâmbio em Agroecologia de Mato Grosso] através das trocas de sementes”.

Essa troca de sementes, a que se refere Maria Renata, é feita e incentivada durante atividades e festas nas comunidades, e consiste na troca de sementes crioulas, que são mantidas por anos pelas famílias agricultoras ou pelas animadoras de sementes, sem a adição de venenos e transgenia, o que faz com que estas se adaptem ao solo e ao clima da região, adquirindo maior resistência a insetos e doenças. Assim, através desse intercâmbio, é possível aumentar a diversidade de plantas, mudas e sementes nas roças das comunidades. E claro, houve troca de sementes logo no primeiro módulo de formação.

Agroecologia e ancestralidade

Como a agroecologia está ligada com os saberes culturais e ancestrais desses povos, a formação contou com alimentos da cultura alimentar da baixada pantaneira e rodas musicais de cururu, com a participação de tocadores e cantadores das próprias comunidades. Miguelina de Campos, de São Manoel do Pari, afirmou a importância do programa. “Precisamos, cada vez mais, contribuir, participar e aprender. Cada comunidade tradicional tem sua luta, sua história, precisamos de união e resistência para enfrentar o dia a dia na comunidade. Esse curso vai ser muito importante, principalmente pela troca de experiências e de sementes”, disse ela.

O próximo módulo será em São Manuel do Pari e vai abordar os princípios da agroecologia, do estudo sobre as culturas alimentares, os sistemas agrícolas tradicionais e suas práticas de manejo do solo, da floresta e das águas.

 [1] Estagiária, sob a supervisão de Claudio Nogueira.

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