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30/11/2016Mato Grosso

Encontro defende agroecologia como modelo viável de cultivo de alimentos saudáveis

O 7° Encontro Estadual de Agroecologia e Feira de Roças e Quintais vai até dia 2 de dezembro. A abertura reuniu agricultores e agricultoras familiares de todas as regiões do Mato Grosso


Coletivo de Comunicação do Encontro¹

O 7° Encontro Estadual de Agroecologia e Feira de Roças e Quintais começou na noite desta terça-feira (29), em Cuiabá, Mato Grosso, com debates e apresentações culturais. Promovido no Ginásio Aecim Tocantins, no bairro Verdão, a abertura reuniu agricultores e agricultoras familiares de todas as regiões do estado, do Nortão à Baixada Cuiabana. Cerca de 600 pessoas estão inscritas para as atividades, que seguem até o dia 2 de dezembro.

Mesa de abertura do evento. (Foto: Assessoria de comunicação)
Mesa de abertura do evento. (Foto: Andrés Pasquis/Gias)

Na abertura, uma encenação teatral valorizou os elementos da natureza, como a terra e a água, essenciais para o cultivo de alimentos saudáveis. “A agroecologia não interessa apenas aos lavradores e lavradoras. Interessa a muitos grupos. Aos que dividem com os ratos os restos das grandes cidades, à mulher impedida de ir à escola, às meninas e aos meninos em situação de rua, às prostitutas, aos que amargam o desemprego e aos que recusam a morte do solo”, disse Dê Silva, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Ela destacou ainda que o evento foi realizado “no coração de uma grande cidade” para serem ouvidos: “O povo não se deve matar. O sonho, a alegria e a esperança não se devem matar, como não se deve matar o mar e a sua dança”, completou.

Agroecologia X Retirada de Direitos

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O evento segue até dia 2 de dezembro. (Foto: Elvis Marques/ CPT)

Lucineia Freitas, também do MST, explicou que o evento é uma construção coletiva do Grupo de Intercâmbio e Agroecologia (Gias)². A articulação tem promovido vários intercâmbios de “saberes e sabores” em um processo de incentivo ao resgate de conhecimentos, sementes e da vida através da agricultura. Em meio a um contexto de ruptura democrática no país, ela destacou o tema do Encontro: ‘Nenhum Direito a Menos!’.

“Temos um presidente golpista, com o qual estamos perdendo muitos direitos. Direitos de comercialização dos alimentos da agricultura familiar, de acesso à terra, direitos diversos. Queremos marcar com esse encontro que estamos muito atentos e atentas a essa situação”, afirmou. Lucineia explicou que no próprio estado do Mato Grosso, o governador Pedro Taques (PSDB) não apoia a agricultura familiar, privilegiando sempre o agronegócio. “Esse também é um momento de debater a concepção de ‘comida de verdade’, ou seja, com qualidade, diferindo dos produtos envenenados oferecidos pelo mercado”, conclui.

Construção do Encontro

Fran Paula, da FASE. (Foto: Andrés Pasquis/Gias)
Fran Paula, da FASE. (Foto: Andrés Pasquis/Gias)

Fran Paula de Castro, educadora da FASE no Mato Grosso, explicou que lutar pela agroecologia é lutar por soberania alimentar, pelos povos da terra e seus territórios. Nesse sentido, afirmou que o Encontro é um momento importante para fortalecer o compromisso com a produção de alimentos saudáveis, com a luta das mulheres, com o empoderamento da juventude e contra as injustiças sociais e ambientais.

Fran Paula lembrou também que no Mato Grosso o agronegócio recebe subsídios importantes em nível estadual e federal, “muito maiores do que aqueles dedicados à agricultura familiar e agroecológica”. Apesar disso, após um intenso processo de debate e pressão de organizações e movimentos sociais que cobravam o governo para ações de fortalecimento da agricultura familiar de base agroecológica, o Gias conseguiu aprovar um edital do Programa Ecoforte, da Fundação Banco do Brasil (FBB). Aloma Tatiana de Melo, representante da FBB, compareceu à abertura do evento e destacou a alegria e a organização daqueles que constroem a agroecologia no cotidiano.

[1] Gilka Resende, da FASE, Andrés Pasquis, do Gias, e Elvis Marques, da CPT, com a colaboração de Wellington Douglas, também da CPT.

[2] Grupo da qual a FASE é parte e existe em Mato Grosso há mais de 15 anos.

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