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18/09/2019Segurança Alimentar

Evento reúne pesquisadores e profissionais em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional

No final do evento foi divulgado um documento que afirma que a ciência é um ato político e, por isso, busca a pluralidade como caminho para a compreensão dos processos de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (SSAN)


A Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (PENSSAN) realizou seu IV Encontro de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (ENPSSAN) entre os dias 10 e 13 de setembro, na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia. Participaram da atividade cerca de 400 pesquisadoras (es), estudantes e profissionais de instituições acadêmicas e de pesquisa, extensionistas, representantes de movimentos e organizações sociais e órgãos governamentais nacionais e internacionais. Dentre os participantes, 18 estudantes são do Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena, da Universidade Federal Rural de Roraima (UFRR). O grupo, formado pelas etnias Macuxi, Wapichana e Ingaricó foi acompanhado pela professora Inara do Nascimento, do povo Sateré Mawe. 

Ao fim da atividade foi divulgada a declaração “Caminhos e desafios para uma ciência cidadã no âmbito da Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional”.  De acordo com o documento, a ciência é um ato político e, por isso, busca-se a pluralidade metodológica como um caminho importante para a construção de desenhos de investigação mais adequados para a compreensão dos processos complexos de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (SSAN). Outros desafios são a valorização das atividades de ensino, extensão e o diálogo com outros tipos de conhecimento para além do científico, e não a mera “apropriação” desses saberes na pesquisa.

Destaca-se ainda, entre os temas estratégicos, as relações entre alimentação e cultura para a construção de políticas públicas adequadas aos distintos grupos e contextos sócio culturais, que respeitem a diversidade cultural e alimentar e a soberania dos povos. Assim, a Rede se posiciona em favor da “valorização da compreensão dos sujeitos e dos atores envolvidos com a ação política, das concepções e interesses em disputa, bem como das múltiplas arenas públicas que vêm sendo construídas no país, para além dos espaços governamentais, é fundamental para a análise de processos políticos complexos como os que envolvem a SSAN. Em consonância, a análise dos caminhos para fortalecer atribuições estatais que são fundamentais para garantia da SSAN, como aquelas relacionadas com as estratégias regulatórias”.

FBSSAN no ENPESSAN

Durante o ENPSSAN, o Fórum Brasileiro de Segurança e Soberania Alimentar e Nutricional (FBSSAN)¹ promoveu duas atividades. No dia 10, foi realizada a  roda de conversa “Rumo à Conferência Nacional, Popular, Autônoma: Por Direitos, Democracia e Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional”, com o objetivo de articular estratégias para a conferência que será realizada em maio de 2020. No dia seguinte, o Fórum apresentou, junto com a Fundação Friedrich Ebert, o painel “Desafios para a soberania e segurança alimentar e nutricional na conjuntura atual: alianças, articulações e transdisciplinaridade”. A mesa foi composta por Valéria Burity (FIAN), Luiz Zarref (MST), Deputado Patrus Ananias (Frente Parlamentar de SAN) e Sandra Chaves (UFBA e Rede PENSSAN). A coordenação do painel foi de Maria Emília Pacheco (FASE) e Julian Perez (UFFS).  Neste debate foi lançado  Informe DHANA 2019: autoritarismo, negação de direitos e fome, da FIAN.

[1] A FASE integra o FBSSAN.

[2] Texto publicado originalmente no site do FBSSAN.

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