O Fundo Dema, em parceria com o Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), realiza campanha de solidariedade de distribuição de alimentos produzidos em assentamentos da reforma agrária. A ação acontece na próxima quinta-feira, dia 20 de janeiro, a partir das 10h, no Armazém do Campo, no bairro da Cremação, em Belém.

Preparação das cestas. Foto: Élida Falcão / Fundo Dema

Ao todo, serão distribuídas 500 cestas de alimentos produzidos por agricultores familiares e, em sua maioria, agroecológicos. Entre as organizações apoiadas estão o Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará (GEMPAC), o Coletivo de Comunicação Popular Tela Firme, o Cursinho Popular TF Livre, o Grupo de Mulheres do Bengui (GMB), a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), o Grupo de Carimbó Tamuatás do Tucunduba, o Coletivo Greta e Indígenas Waraó. Cada organização receberá cerca de 70 cestas. A ação também vai chegar a outras áreas de atuação do Fundo Dema, como Altamira e Santarém.

“A doação de alimentos é uma das ações que a sociedade civil tomou a iniciativa de realizar frente a essa situação lamentável de pobreza e fome. A fome tem pressa e por isso temos que dar uma resposta rápida às famílias que vivem nas periferias, sem emprego, moradia, sem comida”, considera Graça Costa, presidenta do Comitê Gestor do Fundo Dema, gerido pela FASE.

Contra a fome e o desmonte de políticas públicas

Tendo retornado ao Mapa da Fome, o Brasil passa a enfrentar um dos piores cenários já vividos nos últimos anos com a miséria escancarando de forma do desmonte das políticas públicas sociais. Programas como o Bolsa Família e o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), extintos no governo Bolsonaro, eram considerados estratégias importantes para manter o país fora da situação de fome, desde de sua saída do Mapa, em 2014.

Foto: Elida Galvão

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o quadro da insegurança alimentar e nutricional atinge cerca de 49,6 milhões de pessoas no país. Na contramão da violação da dignidade humana, organizações sociais e movimentos populares vêm somando forças, de forma a amenizar os impactos da fome.

Jane Cabral, da direção nacional do MST no Pará, diz que os alimentos que serão entregues são produzidos sem veneno por famílias ameaçadas por latifundiários de monocultivo de dendê. “Esse ano o MST completa 38 anos, e nós lutamos contra o latifúndio, o monocultivo e a favor da diversidade da produção de alimentos. Comemorar nosso aniversário doando alimento, trazendo para cidade alimento de verdade, que a gente sabe que vai chegar na mesa de quem está precisando, é muito significativo para nós que produzimos”.