Alcindo Batista¹

A sabedoria popular costuma dizer que “a união faz a força”, ou seja, que juntos, nós iremos vencer as adversidades e atingir um objetivo comum. Diante disso, o programa da FASE em Pernambuco vem realizando uma série de ações dentro do projeto “Direitos e Bem Viver nos Territórios: fortalecendo a incidência dos sujeitos de apoio às ações da Articulação Recife de Luta (ARL)”. Assim, o objetivo é apoiar uma agenda da moradia popular, visibilizando a real situação de comunidades e ocupações urbanas, incluindo as condições socioambientais das periferias e confrontando as promessas eleitoreiras da coalizão política.

ARL é uma entidade que reúne vários coletivos, grupos de diversos segmentos pelo direito à cidade. Uma das ações realizadas através dessa parceria foi um mutirão para ampliação da horta urbana na comunidade Caranguejo Tabaiares, na Zona Oeste do Recife. O ato aconteceu na localidade conhecida como “Terra Prometida”, que era utilizado para o despejo de lixo. 

Dessa forma, a FASE atuou com apoio político e financeiro para a organização do evento diretamente com os organizadores, sem a presença de intermediários, o que era bastante difícil. Também foi feita a doação de sementes e a mobilização de outras mulheres, com experiência ou não no plantio de alimentos.

Seguimos juntes 

Para além do mutirão, também aconteceram rodas de diálogos com as participantes. Direito à cidade, bens comuns e incidência política no espaço contemporâneo estiveram entre os assuntos debatidos. Com isso, Rosemery Nery, educadora da FASE Pernambuco, explica que este tipo de iniciativa tem sido importante. “Tanto a formação quanto o debate podem dar ótimos exemplos e depoimentos”, diz. Nadja da Silva, da comunidade Santa Luzia, pontua que “esse mutirão renovou as minhas energias na busca pelos nossos direitos e mostrou que se cada comunidade ajudar uma a outra,  fica mais fácil nós resistirmos”.  

Edicleia Santos, do Grupo “Espaço Mulher de Passarinho”, de mulheres negras e periféricas feministas e anti-racistas, conta como o processo ajudou na auto estima e no combate à solidão e depressão da mulher preta. Diante disso, ela que conta “os projetos são muito importantes por fazer com que a gente se sentisse útil, nos dando a sensação de termos feito o bem para as comunidades”, termina. Tanto Nadja quanto Edicleia são integrantes da ARL e participam das formações da FASE. 

A ativista Sara Marques, do coletivo “Caranguejo Tabaiares Resiste”, conta como a idealização desse projeto começou. “Temos uma horta comunitária há cinco meses. Foi um sonho nessa pandemia, onde vimos a falta de alimentos e de lugares que cuidassem de nós. A partir daí, algumas mulheres se juntaram e fomos plantando”, conta. Assim, a ativista diz que este é só o primeiro passo para acolher a população local, combatendo a insegurança alimentar na região. “A FASE já vem nos apoiando e, com a pandemia, laços foram se estreitando. Como resultado, a expectativa é que haja também a implantação de uma cozinha comunitária. Então, os alimentos colhidos aqui possam ser preparados e distribuídos para a comunidade”.

[1] Estagiário, sob a supervisão de Claudio Nogueira.