Rebecka Santos
09/05/2024 13:25

Na Zona Sul do Recife, mulheres periféricas se unem para construir a primeira horta comunitária da ZEIS Ilha de Deus, localizada na Imbiribeira, na capital pernambucana. A FASE Pernambuco é parceira desta iniciativa através do projeto Fortalecendo Mulheres e Suas Práticas Coletivas de Direito à Cidade com Justiça Socioambiental, apoiado pela Misereor. O objetivo é discutir a segurança e soberania alimentar dentro das comunidades do Recife por meio de uma prática agroecológica. 

Assessoradas pela educadora Sarah Vidal, engenheira agrônoma, as lideranças urbanas – que são em sua maioria pescadoras e marisqueiras -, apostam na horta como uma alternativa para o futuro, uma vez que o pescado tem ficado escasso devido à poluição do mar e do mangue. “Como iremos nos manter? Essa é a nossa preocupação. Então a horta é um pouco de esperança de segurança alimentar, de termos o que comer lá na frente”, expõe Ana Mirtes Ferreira, integrante da Poupança Comunitária e da Ação Comunitária Caranguejo Uçá, organizações parceiras do projeto no território.

Um estudo realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) entre novembro de 2021 e abril de 2022 revelou um panorama preocupante em Pernambuco: 2,1 milhões de pessoas, o equivalente a quatro em cada dez pernambucanos, enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave. Nesse sentido, as hortas urbanas e comunitárias emergem como uma possibilidade de produção de alimentos frescos, de diversificação da dieta das famílias e da redução dos gastos com legumes, raízes, folhas e ervas.

Em meio aos rios Jordão, Tejipió e Pina, no Recife, encontra-se a Ilha de Deus, uma comunidade de pescadores que há cerca de 60 anos faz do mar seu sustento, extraindo dele sururu, marisco, peixe e cultivando camarão orgânico nos manguezais que margeiam a ilha. Em 2007, iniciou seu processo de urbanização e hoje cerca de 2 mil pessoas têm a Ilha de Deus como endereço. Enfrentando o racismo ambiental e a especulação imobiliária, tem o protagonismo das mulheres na luta por direitos como marca registrada. 

Esta é uma das quatro hortas urbanas que a FASE realiza o manejo agroecológico junto às mulheres das comunidades. As outras estão localizadas na ZEIS Caranguejo Tabaiares (Afogados), na Comunidade das Flores (Afogados) e na Ocupação 8 de Março (Boa Viagem). Além disso, mulheres desses territórios também passam por formações para que compreendam sobre a justiça socioambiental e permaneçam conduzindo mudanças significativas que beneficiam suas vidas e suas comunidades. 

A horta está numa área pública da comunidade e envolve a participação de crianças e idosos, fortalecendo o senso de comunidade e a compreensão sobre a preservação do meio ambiente, do combate ao uso de agrotóxicos, da conservação do solo e da promoção da biodiversidade.

*Comunicadora FASE Pernambuco