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27/06/2014Agroecologia

Agricultura familiar e agroecologia em debate

FASE Amazônia participa de programa do Canal Futura sobre modelo alternativo ao agronegócio


“De onde vêm seus alimentos?”. Com essa questão o programa Conexão Futura, do Canal Futura, estimulou o debate sobre agricultura familiar e a agroecologia no Brasil. A produção, exibida nesta terça-feira (24), debateu ainda as consequências do uso de agrotóxicos para a saúde e para o meio ambiente da população. Vânia Carvalho, da FASE Amazônia e do Fundo Dema, esteve entre os convidados. Além dela, participaram Denis Monteiro, agrônomo e secretário executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), Alan Tygel, integrante da coordenação nacional da Campana Permanente Contra os Agrotóxicos, e José Antonio Espindola, pesquisador da Embrapa.

Denis, da ANA, explicou o que significa o termo agroecologia. “Agroecologia é fazer uma agricultura em harmonia com a natureza, respeitando os ciclos dela, sem agredir e pensando numa produtividade em longo prazo. Não só pensando no retorno imediato da produção, mas nas futuras gerações”, defendeu. Já José Antonio Espindola, da Embrapa, comentou que há uma mudança positiva em relação à legislação que passou a incentivar e reconhecer os sistemas agroecológicos como possíveis. Porém, ressaltou que há ainda a dificuldade de trazer isso para realidade dos agricultores, no que diz respeito à formação e disseminação desse conhecimento.

Durante o debate, a aprovação do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), ocorrida em junho de 2013, foi tida como um avanço. Ainda assim, o relato de Vânia, da FASE, aponta que ainda são muitos os desafios. Ela, que participou do programa de TV via telefone, compartilhou experiências da região norte do país. Segundo Vânia, ainda faltam políticas públicas para grupos que defendem uma agricultura realmente sustentável na região. “O que a gente espera dos programas é que eles incluam mais e levem em conta os saberes da região”, relatou. Disse também que essas populações, entre elas indígenas e quilombolas, vivem “numa guerra contra o agronegócio”. A extração madeireira a presença de garimpos também foram lembradas pela educadora da FASE como grandes problemas enfrentados na Amazônia.

Alan Tygel, da Campana Permanente Contra os Agrotóxicos, completou dizendo que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Ele chamou atenção ainda para contas que não são consideradas quando se fala nos lucros de um modelo de agricultura que concentra terras e faz uso de venenos: “O agronegócio se gaba de ser responsável por uma grande parte do nosso PIB [Produto Interno Bruto], mas ninguém fala de como todo esse recurso gerado não fica no Brasil, porque a grande maioria da produção é exportada. Também não falam dos efeitos na saúde [das pessoas], do gasto do Sistema Único de Saúde [SUS] com as intoxicações por agrotóxicos, da degradação dos solos, da expulsão de camponeses, do inchaço das cidades, nada disso entra na conta do PIB do agronegócio”.

Confira aqui o programa:

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